• A anunciada crise institucional

    por Carlos Fico Existe a possibilidade de ruptura institucional após a eleição presidencial deste ano porque o impeachment de Dilma Rousseff inaugurou fase de suspensão, de quase anomia, que ainda não superamos. Essa fase frequentemente ocorre após eventos traumáticos como as guerras, os julgamentos dos chefes de Estado ou suas mortes inesperadas (por atentados, por exemplo), eventos que costumam ser contemporâneos ao tumultus, “estado de desordem

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  • corrupção na ditadura

    Médici corrupto

    por Carlos Fico O ex-presidente Médici é pouco estudado, mas muito lembrado. Deixou raros documentos e entrevistas, mas sua memória é cultuada por muitos. É lembrado por ter presidido o “milagre brasileiro” (altas taxas de crescimento do PIB entre 1969 e 1973). Sua popularidade cresceu com a conquista da Copa do Mundo em 1970 pelo Brasil. Era aplaudido nos estádios de futebol. Nas

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  • A dívida de FHC e Lula

    por Carlos Fico FHC e Lula têm dívida com o Brasil. Ambos adotaram a repartição dos cargos ministeriais entre base partidária ampla para garantir a aprovação de iniciativas governamentais pelo Congresso Nacional. FHC associou-se ao PFL (os dissidentes do PDS, sucedâneo da ARENA) e a partidos fisiológicos. Lula se associou ao PMDB e a partidos fisiológicos. Para governar, ambos ficaram prisioneiros das demandas

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  • dilma impeachment

    A hora de Dilma

    por Carlos Fico A gravidade do momento atual impõe a necessidade de solução que represente, para a população, a recriação do sistema político nacional. Isso tem de ser feito sem o recurso a fórmulas que contornem a Constituição, como é tradição da cultura política autoritária brasileira (golpes, contragolpes, emenda parlamentarista, prorrogação de mandatos ou eleições fora do calendário). Nesse sentido, ou ficamos com Temer

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  • Adhemar de Barros

    Para trás e para baixo

    por Carlos Fico Adhemar de Barros, político paulista tido como corrupto, gostava do lema “Para frente e para o alto!”, que ele supunha expressar decisão e energia, além de indicar posição política de centro, “nem esquerda nem direita”. Ele concorreu à Presidência da República duas vezes, em 1955 e 1960, tendo sido derrotado em ambas, ficando nas duas em terceiro lugar. Na eleição

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  • pmdb

    O vice, o presidente da Câmara e o PMDB

    por Carlos Fico Todos sabemos que a ditadura militar começou com o golpe de Estado de 1964. O que poucos comentam é que ela também se encerrou com manobra golpista consentida: Tancredo Neves, presidente civil escolhido pelo Colégio Eleitoral para suceder o último general-presidente, foi internado na véspera da posse, dia 14 de março de 1985. Na sala de espera do hospital, reuniram-se

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  • golpe de 64

    Os golpes

    por Carlos Fico Se consumado, o impeachment de Dilma Rousseff será um duro golpe na democracia brasileira, inclusive em função da banalização desse instrumento, que, nesse caso, terá sido usado duas vezes no Brasil em pouco menos de 25 anos. “Que país é esse” – para citar frase de tristíssima memória – no qual temos de recorrer ao impeachment com essa frequência? A longa tradição de

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