crimes ditadura militar

Brasil precisa da CIA para confirmar que Geisel e Figueiredo foram mandantes de assassinatos

por Fernando do Valle

Triste o país que precisa de documento da CIA para confirmar que os ditadores Ernesto Geisel e João Figueiredo foram mandantes de assassinatos. Informados em 1974 por generais sobre o extermínio de 104 opositores à ditadura civil-militar durante o governo do ditador Médici, ambos resolveram prosseguir com a “política” de execução de brasileiros contrários ao governo.

Ontem Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, divulgou nas redes sociais memorando da CIA (agência de inteligência norte-americana) em que o diretor-geral da CIA, William Colby, que morreu em 1996, informou ao secretário de Estado americano Henry Kissinger sobre uma reunião em março de 1974 entre o presidente recém-empossado e general Ernesto Geisel e três assessores: o general que estava deixando o comando do Centro de Informações do Exército (CIE), o general que viria a sucedê-lo no comando e o General João Figueiredo, indicado por Geisel para o Serviço Nacional de Inteligência (SNI).

Segundo Spektor, “o grupo informa a Geisel sobre a execução sumária de 104 pessoas no CIE durante o governo Médici, e pede autorização para continuar a política de assassinatos no novo governo. Geisel explicita sua relutância e pede tempo para pensar. No dia seguinte, Geisel dá luz verde a Figueiredo para seguir com a política, mas impõe duas condições. Primeiro, “apenas subversivos perigosos” deveriam ser executados. Segundo, o CIE não mataria a esmo: o Palácio do Planalto, na figura de Figueiredo, teria de aprovar cada decisão, caso a caso”. Figueiredo sucedeu Geisel e governou o país entre 1979 e 1985.

Leia o documento original (em inglês):

 

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Figueiredo e Geisel , ditadores que nunca responderam por seus crimes (fonte: Facebook Matias Spektor)

O memorando 99 faz parte da uma série chamada Foreign Relations of the United States que divulga documentos das relações dos Estados Unidos com a América do Sul entre 1973 e 1976. Impressiona que o memorando é público desde dezembro de 2015, ou seja, prova contundente dos graves crimes cometidos por dois dos ditadores brasileiros mofava à espera de um pesquisador mais atento como Spektor.

Mofado e vazio também está o banco dos réus que aguarda há décadas os militares e seus cães de guarda que torturaram, mataram e cometeram crimes gravíssimos abrigados em seu poder de Estado. Os julgamentos seriam a oportunidade histórica de pulo civilizatório para o exercício da democracia mais plena e oportunidade para conscientizar aos celerados que tem a desfaçatez de pedir a volta da ditadura.

 

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Partidários da volta da ditadura civil-militar (fonte: Huffpost Brasil)

Mino Carta, Geisel e o “besteirol reinante”:

Com informações da Agência Brasil.

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