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Brasil, uma vertigem

Primeiro foi a reforma trabalhista que retirou direitos dos trabalhadores. Todas as vantagens para o patrão. Nada de carteira assinada, nada de multa por demissão sem justa causa, nada de incomodação na justiça, até porque a Justiça do Trabalho também se acabou. A propaganda era boa: o trabalhador estará livre, poderá escolher seus horários. Boa parte das gentes acreditou e vibrou. E veio o trabalho temporário, intermitente, sem qualquer vínculo. A uberização da vida. Todos os riscos são do trabalhador. E se ficar doente, tá morto. Porque se não trabalha no dia, não ganha. Não há direitos.

Agora, já definida em primeiro turno, com todas as chances de ser mais uma estrondosa vitória no segundo, está pronta a reforma da Previdência. Toda a sorte de maldades contra os trabalhadores. Uma grande vitória para os empresários. Mas, para quem vive do trabalho a reforma é a destruição de sua velhice. Há que se trabalhar 40 anos seguidos para se pleitear algum alento nos últimos anos de vida. Poucos conseguirão chegar lá. Para a maioria será o chicote da exploração até a boca da cova.

E nem bem os brasileiros começavam a digerir a amarga derrota no parlamento, que foi comprado com emendas somadas em mais de dois bilhões, o governo anuncia mais uma medida para arrebentar a vida dos empobrecidos. Pois o Ministério da Saúde rompeu contrato com os laboratórios que produziam remédios para serem distribuídos gratuitamente.  São 19 remédios que não mais serão disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde, deixando na mãos mais de 30 milhões de pessoas que usam os medicamentos regularmente. Pessoas com câncer, diabetes e dependentes de transplantes.

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Desenho de Pawel-Kuczynski

A jogada é clara. A intenção do governo é acabar com os laboratórios públicos que produzem esses remédios a um custo bem mais baixo e passar a comprar os medicamentos das farmacêuticas transnacionais. Mais um golpe na produção nacional e a entrega de bandeja para os grandes conglomerados. O lema de “Brasil acima de tudo”  é mesmo para inglês ver. Ingleses, alemães, estadunidenses e toda a sorte de empresas estrangeiras que irão encher as burras. O ministro já disse que os pacientes não serão afetados porque os remédios chegarão. Pode até ser. Mas, o custo para o país certamente será triplicado.  Mais dinheiro escoando para o monopólio farmacêutico e pau nos laboratórios nacionais.

Também na última semana circulou a notícia de que o governo já estava pensando em introduzir a mensalidade nas universidades públicas, o que será mais um golpe sobre a classe média e os mais empobrecidos. E se articula também o fim do Sistema Único de Saúde, de gratuidade universal, que é modelo para muitos países. O governo de Jair Bolsonaro  quer passar a régua entregando os recursos dos trabalhadores para os Bancos, as Farmacêuticas, os empresários do Ensino e os mercenários da Saúde. A intenção é de que tudo que é público se acabe.

E, apesar de toda essa trama contra os brasileiros, a população ainda está paralisada, dividida entre os que aplaudem sua própria desgraça e os que não encontram como expressar de maneira coletiva a sua revolta. As reações são pontuais e esporádicas. A massa se move ao sabor dos factoides criados para encobrir o verdadeiro desastre que se aprofunda a cada dia.

O Brasil vive mesmo uma vertigem, que começou no dia primeiro de janeiro e que ao chegar quase ao final de julho, ainda cega a maioria.

Como a desgraça vai atingir primeiro os mais empobrecidos, a reação ainda deve demorar. Por enquanto restam alguns “Jeremias” que, tal e qual o profeta, gritam no deserto, apontando os horrores e chamando para a luta. Poucos dão atenção e ainda há marchas de apoio à destruição do país. Há os que só esperneiam no facebook, terreno do inimigo, e há os que sequer querem saber do que está acontecendo.

É de amargar. E a vida mesma, vai esboroando.

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