• A volta de Rubem Fonseca ao mundo embrutecido

    Em Amálgama, novo livro de contos de Rubem Fonseca, o freak show é composto por uma vasta galeria de figuras perturbadas: mãe que joga o bebê aleijado no lixo, o assassino profissional que poupa anões, outro que tem medo de anões, homem feio apreciador de bocetas, o matador de gatos, um que tira a vida de corretores de imóveis e, por aí vai.

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  • O sacrifício dos cordeiros

    Não é só de replicação da barbárie cotidiana que vive a TV aberta no Brasil. Outro “fenômeno” que se evidencia abusivo é a ocupação dos horários, de modo intermitente, por programas religiosos, no que se tem convencionado designar por igrejas eletrônicas, notadamente as do viés evangélico, sejam a Universal, Mundial, Renascer ou da Graça de Deus. “Em nome de Jesus”, tanto na TV quanto

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  • Vida e morte de Pasolini

      A polêmica morte do cineasta Pier Paolo Pasolini é alvo de especulação até hoje. No dia 2 de novembro de 1975, na praia de Ostia, segundo a polícia, Pasolini foi assassinado pelo jovem Pino Pelosi. Cineasta, jornalista, escritor e poeta, Pasolini filmou, entre muitos outros, Mamma Roma (1962), Saló (1975) e Teorema (1968). Homossexual assumido, Pasolini tinha o hábito de namorar jovens

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  • O manifesto antropófago de Oswald de Andrade

        (atualizado em 22 de outubro de 2014) O Manifesto Antropófago foi publicado no primeiro exemplar da Revista de Antropofagia, em 1928. O Manifesto seguiu-se ao Manifesto do Pau-Brasil, de 1924. No manifesto de 1924, Oswald já enfatizava a necessidade de criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica do que vinha sendo produzido de inovador na cultura

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  • Dia do poeta

      Ontem (dia 20 de outubro), foi celebrado o Dia dos Poetas. Leia poema de nosso colaborador, o poeta Marco Piantan, em homenagem ao dia:   Obrigado a todos os poetas Que dividiram seus infortúnios e alegrias comigo Que me fizeram companhia quando estava sozinho E nas noites mais sombrias Não me deixaram desistir de sonhar   Em suas almas torturadas pude me

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  • Martírio no claustro

    Outro dia, vi alegres freirinhas vendendo pães caseiros pelo bairro e imaginei quem escolhe tornar-se freira hoje em dia. Algumas possibilidades: tímidas interioranas, adolescentes manipuladas por mães e avós religiosas ou moças pobres e/ou idealistas. Mesmo as mais convictas noviças teriam suas certezas abaladas se lessem o clássico A Religiosa, do dramaturgo e romancista Denis Diderot, lançado em 1796, após sua morte. Estamos

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  • A obscena senhora silêncio

    A busca de uma trincheira em que se viva literatura. Além de seus livros, sempre me fascinou a atitude de Hilda Hilst, que, aos 33 anos, abandonou Sampa e rumou para sua Casa do Sol, há 10 quilômetros de Campinas, um verdadeiro refúgio para a criação artística como profissão de fé. Hilda viveu lá por décadas rodeada por 30 cachorros e gatos e

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  • A classe mérdea

    “Empanturrado ontem e bebum, no coquetel, escarneci e, de voz empastada, eu disse classe mérdea. Com este embrulho no estômago, pesadão e ressacado, pertenço a que classe senão a ela? … Mas da classe média você não vai escapar, seu. A armadilha é inteiriça, arapuca blindada, depois que você caiu. Tem anos e anos de aperfeiçoamento, sofisticação, tecnologia, ah o cartão de crédito,

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  • Di-Glauber na web

    “Juntos, bebemos champagne, mescal, uísque, e Paraty, juntos, sorrimos e cantamos no México e em Paris…” Os versos frenéticos de Glauber Rocha fazem parte de sua insólita homenagem ao amigo e pintor, Di Cavalcanti. Di-Glauber foi rodado no velório do pintor em 26 de outubro de 1976 no MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro. Lançado em 1977, o curta-metragem foi interditado

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  • O terrorismo poético de Hakim Bey

      “Avatares do caos agem como espiões, sabotadores, criminosos do amor louco, nem generosos nem egoístas, acessíveis como crianças, semelhantes a bárbaros, perseguidos por obsessões, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terríveis, espelhos para a contemplação, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos & sentidos Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entre as paredes da Igreja, do Estado, da Escola & da Empresa, todos

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  • Comédia romântica tarja preta (“O lado bom da vida”)

    História contada à exaustão, o roteiro de O Lado bom da vida (Silver Linings Playbook) baseia-se em dois corações sofridos em busca de redenção. O título em português com cara de livro de autoajuda esconde um filme com pretensões de manual das relações amorosas contemporâneas, regado a antidepressivos e remédios controlados. Se, por um lado, a intenção resultou em uma surpreendente indicação ao

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  • A saga da vanguarda poética paulistana

    A busca pelo companheirismo sempre foi a urgência de muitos criadores e fez surgir movimentos artísticos e literários. A efervescência de determinada época, as coincidências e as amizades levam artistas ao convívio entre iguais e incrementa e, por vezes, até modifica o trabalho solitário de cada um deles. As reuniões no apartamento da escritora Gertrude Stein na rue de Fleurus, na rive Gauche

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  • Os cabelos brancos de On The road

    Em cena do filme On The Road, Sal Paradise, alter-ego do escritor Jack Kerouac adoece em pleno México. Dean Moriaty, seu amigo e companheiro de armas no livro e na vida (como Neal Cassady) o abandona em um muquifo mexicano. Neste momento, algo se quebra. A amizade que os une na busca de experiências e no enfrentamento de um mundo hostil ao comportamento

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  • Corrida, literatura e facebook

    O primeiro contato que tive com o escritor Ricardo Lísias foi em fevereiro deste ano na revista Piauí ao ler um texto sobre como a corrida e a participação na corrida de São Silvestre o ajudaram a superar um divórcio tumultuado. Me identifiquei com o texto na hora, também corro há mais de um ano, me esfalfei na SS 2011 e isso também

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  • Paixão, carimbó e desmatamento

    A violência e a paixão sempre tiram os personagens dos filmes de Beto Brant do prumo. Não é diferente no novo filme do diretor, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, nos cinemas. Desta vez, Cauby (Gustavo Machado), fotógrafo nos cafundós do Pará, encontra a loucura e uma certa epifania em Lavínia, interpretada magistralmente por Camila Pitanga, tudo regado a florestas

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  • De Chirico e a melancolia nas cidades

    Se a melancolia do cineasta dinamarquês Lars von Trier materializa-se em um planeta que se chocará com a Terra, a  melancolia de De Chirico penetra na arquitetura das cidades. O pintor de origem grega desconstrói a cidade, lugar de inadequação do homem, em busca desesperada de solidão e silêncio. Mais caótica e criativa do que nunca, São Paulo e o seu MASP são

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  • Ginsberg e os esqueletos

    Um ano antes de morrer (1996), o poeta norte-americano Allen Ginsberg reuniu Paul Mc Cartney na guitarra e bateria, Philip Glass nos teclados e o baixista da banda de Patti Smith, Leny Kaye, para gravar a adaptação musical de seu poema A balada dos esqueletos. Allen Ginsberg nasceu em 3 de junho de 1926 em Newark, Nova Jersey e morreu em 5 de

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  • Dois médicos loucos e a histérica

    Para Cronenberg, o ser humano constitui-se basicamente de secreções e vísceras sob o comando de um cérebro perturbado. Esse todo esquisito sempre busca o sexo. Em seu mergulho nas origens da psicanálise, a personagem principal do novo filme do cineasta canadense, Um Método Perigoso, sofre de graves problemas sexuais e se contorce em caras e bocas em busca de ajuda. A histérica aspirante

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  • Fonseca romântico

    Garoto idiossincrático esse José. Do mundo dos livros tira o alimento para sua realidade. A Paris de vielas estreitas transforma-se no mundo ‘real’ em que vive seus primeiros oito anos de vida, a lembrança da rotina na pequena e ‘irreal’ cidade mineira é nebulosa e episódica. Em tenra idade, lá pelos 9, já no Rio de Janeiro, José começa a deliciar-se com o

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  • O movimento punk nunca há de morrer

    Com edição nervosa, o documentário Botinada, a origem do punk no Brasil, com direção da ex-cara roqueira da MTV, Gastão Moreira, relembra as histórias e tretas do punk no final dos anos 70 e início dos 80. O início já surpreende. Abrem-se as cortinas com frase de Chico Buarque (isso mesmo!), o ícone da MPB soltou na época: “se o punk é o

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