De Chirico e a melancolia nas cidades

Auto-retrato de De Chirico
Auto-retrato de De Chirico

Se a melancolia do cineasta dinamarquês Lars von Trier materializa-se em um planeta que se chocará com a Terra, a  melancolia de De Chirico penetra na arquitetura das cidades. O pintor de origem grega desconstrói a cidade, lugar de inadequação do homem, em busca desesperada de solidão e silêncio.

Mais caótica e criativa do que nunca, São Paulo e o seu MASP são o cenário adequado para abrigar a exposição De Chirico: O Sentimento da Arquitetura. A exposição já fez escala em Porto Alegre e irá também desembarcar em Belo Horizonte.

A busca do onírico pelos seus manequins sem rosto que carregam no colo componentes da paisagem das metrópoles como verdadeiras quinquilharias nos indicam seu trabalho como precursor do surrealismo. As pinturas de De Chirico nos revelam em cores a cidade como o não-lugar e nos lembra de pensamento de André Breton, que publicou em um de seus manifestos surrealistas: “viver e deixar viver é que são soluções imaginárias. A existência está em outro lugar”.

No início do século 20, época em que viveu em Paris, De Chirico foi grande amigo dos surrealistas, como o poeta francês Apollinaire, que apelidou o trabalho do grego de pintura metafísica. Durante a primeira guerra mundial, De Chirico funda, ao lado do pintor Carlos Carrà, a Escola Metafísica. Mais tarde, o artista grego renega o surrealismo afirmando que o movimento era formado pelos “líderes da imbecilidade moderna”.

Nascido na Grécia, De Chirico viveu em Florença, Turim, Munique, Nova York, Ferrara e Paris, até fixar-se em Roma, em 1944. A exposição de De Chirico (1888-1978) abriga 45 pinturas, 11 esculturas e 66 litografias, produzidas entre as décadas de 1920 e 1970.

“Orgulho de ser paulistano”

É de encher os olhos ver meninos de 9 e 10 anos na exposição sob orientação dos animados  monitores do MASP. Dá até para acreditar que Sampa tem realmente jeito!

Ainda dá tempo:

De Chirico: O Sentimento da Arquitetura
Local:  Masp – Museu de Arte de São Paulo.
Endereço:  Avenida Paulista, 1578.
Data: de 22 de março a 20 de maio.
Horário: de terça a domingo e feriados, das 11h às 18h, às quintas, das 11h às 20h, entrada: R$ 15,00; às terças feiras: acesso gratuito. Estudantes, professores e aposentados com comprovantes:  R$ 7; até 10 anos e acima de 60: entrada franca.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: