Glenn Greenwald, o norte-americano brasileiríssimo

Na homenagem ao jornalista Glenn Greenwald e equipe do The Intercept Brasil realizada na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), tive o prazer de conversar com ele e fazer o seguinte comentário, que, aliás, agradeceu imensamente.

Falei que  governo norte-americano sempre mandou para o Brasil os maiores canalhas e golpistas que fizeram as maiores sabotagens contra o povo brasileiro nos últimos 70 anos. Afirmei que Greenwald era o único americano que estava trabalhando pelo Brasil e desmascarando as atrocidades da quadrilha dos golpistas através das denúncias das conversas gravadas entre o juiz e o promotor do caso ‘Vaza Jato’.

Disse-lhe que umas das primeiras sabotagens foi quando os EUA enviaram o publicitário Ivan Hasslocher que fundou a agência Promotion, em 1959, com o objetivo de iniciar o golpe nas eleições de 1962. Com ajuda de bancos internacionais,  gastou cinco milhões de dólares para eleger, deputados estaduais, federais, senadores e governadores. Era o início para começar a derrubar o presidente João Goulart em 1964.

Outro elemento foi o embaixador Lincoln Gordon, um dos articuladores do golpe gastando também cinco milhões de dólares,  com ajuda do coronel Vernon Walters, que depois foi vice-diretor da CIA. Walters foi o intermediário do presidente Ronald Reagan para entregar 50 milhões de dólares ao papa João Paulo II para ajudar na desestabilização do Leste Europeu e na criação do sindicato Solidariedade na Polônia e acabar com o comunismo na União Soviética. Walters e o papa polonês tiveram encontros semestralmente entre 1981 a 88. A CIA mandava relatórios para o Vaticano sobre os padres latinos ligados ao movimento da Teologia da Libertação.

Outra figura sinistra apareceu quando o ex-governador de Minas Gerais, o banqueiro Magalhães Pinto, convidou o agente da FBI Dan Mitrione para ensinar torturas aos soldados da PM para combater os movimentos de esquerda no estado mineiro. Nas suas aulas práticas, ele utilizava presos, mendigos e indigentes. Dan Mitrione teve nome de rua em Belo Horizonte, mas depois o nome da rua foi rebatizada em homenagem à memória do estudante  José Carlos da Mata Machado, da Ação Popular, que foi assassinado aos 27 anos no DOI-Codi, em Recife, na ditadura militar, em 1973. Mitrione ensinou torturas nos países latinos aliados da Operação Condor.  Teve a sua maldita alma encomendada pelos guerrilheiros do Movimento de Libertação Nacional  (Tupamaros) do Uruguai, em 10 de agosto de 1970.

glenn greenwald brasileiro
O jornalista Glenn Greenwald em ato na Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Até o nosso cinema teve um agente que trabalhou durante 50 anos para destruir as produções de filmes no Brasil, desde a Companhia Vera Cruz, em São Bernardo do Campo-SP. Trata-se de Harry Stone que veio para o Rio de Janeiro como representante da Motion Pictures nos anos 50. O cineasta Glauber Rocha chamava-o de agente da CIA.

Na inauguração do MAC  (Museu de Arte Contemporânea) de Niterói, tive o prazer de dizer ao Harry Stone que odiava americanos, os seus filmes, que não frequentava cinemas há vários anos. Mas eu tinha o prazer de assistir somente os filmes que mostravam a derrota dos norte-americanos na Guerra do Vietnã. Ele ficou vermelho como um peru e sumiu.

Falei para Glenn Greenwald sobre a retribuição que ele, Edward Snowden e Julian Assange fizeram para a humanidade com as suas denúncias desmascarando as atrocidades cometidas pelos governos dos Estados Unidos em vários países.

Parabéns Glenn Greenwald, o norte-americano brasileiríssimo!

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