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Manifestações contra a Monsanto nas ruas de 421 cidades

No último sábado, dia 23 de maio, cerca de 3 milhões de manifestantes foram às ruas em 421 cidades de 48 países contra a multinacional de biotecnologia Monsanto, produtora de cerca de 90% das sementes transgênicas no mundo. É o terceiro ano consecutivo da Marcha contra a Monsanto, que protesta contra os alimentos transgênicos ou também chamados organismos geneticamente modificados (OGMs), que já são consumidos por parte da população mundial, inclusive no Brasil.

Estudos científicos já provaram que os transgênicos podem causar danos aos rins e fígado, maior predisposição ao câncer, entre outros danos a saúde. Além disso, o cultivo de sementes geneticamente modificadas prejudica o solo e o meio ambiente. A Monsanto, que fatura anualmente cerca de 4,5 bilhões de dólares, também utiliza seu poder econômico para pressionar universidades e institutos de pesquisa que publicam estudos contrários aos seus interesses.

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Manifestantes contra a Monsanto no Rio de Janeiro (fonte: Reuters)

Mais uma prova de sua influência econômica foi a aprovação no final de abril na Câmara dos Deputados de Projeto de Lei que livra as empresas do setor alimentício da obrigatoriedade de informação nos rótulos de produtos que contêm menos de 1% de transgênicos em sua composição. O projeto foi encaminhado ao Senado. Com isso, abre-se precedente para que os produtos transgênicos misturem-se aos outros, inclusive orgânicos, e confunda os consumidores do que realmente eles levam para suas casas.

O monopólio da Monsanto na área dos alimentos OGMs impressiona. Ela comercializa 98% da soja transgênica do mundo e 78% do milho tolerante a herbicidas. Se não bastasse, a empresa ainda produz os pesticidas glifosato e agente laranja.

O primeiro já foi proibido em dezenas de países do mundo como Holanda e El Salvador. No Brasil, o Ministério Público Federal (MPF) enviou em abril documento à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitando urgência na reavaliação toxicológica do glifosato. Em diversos outros países, pedidos de proibição da substância tramitam na Justiça e no Poder Legislativo. A base das proibições são os diversos estudos que ligam o uso do glifosato a doenças como câncer, diabetes, depressão, alzheimer, entre outras.

Cerca de 83 milhões de litros de agente laranja foram usados pelas tropas americanas na Guerra do Vietnã entre 1964 e 1975, no Vietnã, Laos e Camboja. O herbicida tem a propriedade de desfolhar as plantas e árvores. Com isso, 25% das florestas da região foram devastadas. A dioxina contida no agente laranja causou doenças em dois milhões de vietnamitas e milhares de soldados norte-americanos.

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Manifestação contra a Monsanto em Buenos Aires

Leia texto sobre o documentário “O Veneno está na Mesa II”, de Silvio Tendler.

O Brasil ocupa o vergonhoso segundo lugar entre os países que mais cultivam variedades transgênicas de grãos e fibras no mundo. O agronegócio brasileiro é também, desde 2008, o campeão mundial em consumo de agrotóxicos,

A luta contra a Monsanto tem mobilizado vários setores da sociedade civil, inclusive artistas. No próximo mês, o roqueiro canadense Neil Young lança o disco “Monsanto Years”, um libelo contra a multinacional. O artista, que completa 70 anos em novembro, sempre foi crítico da política externa norte-americana e do desmedido domínio das corporações sobre as instituições democráticas de vários países.

Mais fotos das manifestações do último sábado:

Chile

(fonte: Reuters)
(fonte: Reuters)

 

Suíça

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(fonte: CTVNews)

 

Canadá

(fonte: TeleSur)
(fonte: TeleSur)

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