bolsonaro louco

O presidente invisível

No romance “O homem invisível”, H. G. Wells conta a história de um cientista que se tornou invisível a ponto de roubar e ninguém saber, de ferir, de matar e ninguém descobrir o criminoso, pois que era invisível. Assim começa o livro de H. G. Wells em livre tradução: “O desconhecido chegou em um dia de tempestade, debaixo de um vento cortante, no último vendaval do ano”

 

E para respeitar a sensibilidade do leitor, é preciso esclarecer logo como se ligam o personagem de Wells e o presidente que se tornou invisível no Brasil. Do lado de fora do livro, o indivíduo no Palácio não aparece para todos brasileiros há pelo menos seis longos meses. Primeiro, porque o vácuo atenta contra a federação brasileira em declarações, ordens e falas: repetidas vezes, o vazio se manifesta contra os nordestinos em geral e contra os seus governadores em particular. Portanto, para os paraíbas do alto do Brasil e de todas as regiões, não existe qualquer ente humano na presidência. Em segundo lugar, a nulidade, além de atentar contra o Brasil ao privatizar o rio da unidade nacional, o São Francisco, não é presidente para a maioria do povo, pois só existe para um terço dos brasileiros. O que vale dizer, ele é um terço, de reza, para exorcizar a aparição.

Do lado do livro, olhem o que fala o personagem invisível:

“Ele explica que, decidido a conseguir uma descoberta de importância científica, começou a trabalhar em uma experiência para fazer invisíveis pessoas e objetos, empregando dinheiro roubado até do seu pai, se preciso fosse. Mas agora planeja começar um reinado de terror, usando sua invisibilidade para submeter o país”.

Veem o invisível no governo brasileiro? Se acham pouco, olhem o que H. G. Wells narra mais adiante: “Ele não tinha nenhum lugar aonde ir, e ninguém em quem confiar. Revelar seu segredo significava delatar-se, converter-se em um espetáculo para todos, uma esquisitice humana”.

Percebem o processo de cá, nestas horas em o oculto do Planalto com os filhos e apoiadores passam a desconfiar de traição, de quebra de confiança, em todos que não repitam a sua bárbara cartilha? Mas notem que ser invisível não é o mesmo que não causar imenso mal a toda gente. Acompanhem o que adverte o livro de H. G. Wells:

“Ele está louco! Ele não é um ser humano. É puro egoísmo. Ele pensa tão só em seu próprio interesse, em sua salvação. Esta manhã pude escutar a história do seu egoísmo! Feriu muitos homens e começará a matar, a não ser que possamos evita-lo. Ele vai espalhar o pânico. Nada poderá pará-lo se ele escapar”.

E de modo mais preciso nestas próximas linhas do livro, quando um líder da resistência clama por luta popular contra o homem invisível:

“Temos que começar agora mesmo. Temos que empregar todos os homens que estejam disponíveis. É preciso evitar que ele fuja do cerco. Se ele conseguir, irá por todo o país matando à vontade e fazendo o mal. Ele sonha em estabelecer um Reino de Terror! Ouçam o que lhes digo: será um Reino de Terror. Temos que vigiar os trens, as estradas, os navios…”

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Veem o invisível presidente que por atos, estímulos aos assassinatos de lideranças políticas, que por declarações e chacotas incentiva a barbárie, que se adianta em medidas claras contra a cultura, a educação, o trabalho e a saúde, cresce para um Reinado de Terror? O que podemos fazer? nos perguntamos. E lá no livro de H. G. Wells um ouvinte ao pedido de resistência sugere:

“Peça ajuda ao exército”.

Mas neste ponto, voltamos à realidade mais crua do povo brasileiro. Diante desse pedido no livro “O homem invisível”, respondemos do lado de cá, fora das suas páginas:

– Pedir ajuda a quem, senhor? Ao Exército?!

Impossível, primeiro porque os generais formados na ideologia de extrema-direita apoiam o mais desonroso fantasma em toda história. Contra a esquerda, tudo, até mesmo um invisível presidente. Tudo, ainda que o espectro seja o máximo de ignorância, de falta de educação, decência, ausente da mais rasa humanidade. Impossível ainda, em segundo lugar, porque não interessa uma chamada para um golpe militar a “favor da democracia”. Conhecemos bem esse caminho. Pior, imaginem o problemão: se tiram o fantasma, quem iria para o seu lugar? Uma junta de iluminados oficiais?

Mas ainda aqui, nas soluções extremas, precisaríamos antes que se revelasse a todos o nada que porta a faixa presidencial. Não como se apresenta nas páginas finais do livro de H. G. Wells:

“E assim, lentamente, começando pelas mãos e pés e subindo pelos membros para os centros vitais do corpo, a estranha metamorfose continuou. Era como a difusão vagarosa de um veneno. Primeiro, foram os pequenos nervos brancos, o esboço pouco nítido de um membro, depois os ossos opacos e as artérias interligadas, a seguir a carne e a pele, primeiro uma vaga névoa tornando-se rapidamente densa e opaca”.

Não. Para nós fora do livro, a revelação do invisível será a denúncia contra um indivíduo indecente, que desrespeita o Brasil e o mundo civilizado. Esse tenente mal formado, grosseiro, cujos heróis são assassinos, não ocupa o posto mais alto da República. Enquanto ele vagar no Palácio do Planalto, para a maioria e todas instituições democráticas o cargo de presidente está vago. Lá em Brasília, existe só uma faixa que se move sozinha sobre o corpo de ninguém. Ou sobre o vácuo de um presidente invisível.

 

 

http://www.zonacurva.com.br/o-que-machado-de-assis-falou-do-juiz-sergio-moro/

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