Onde está a Bossa Nova?

Após a Proclamação da República, lá no século 19, a Semana de Arte Moderna de 1922 foi o único movimento cultural propriamente tupiniquim. Até os anos 50, o Brasil não respirava vanguarda, pelo menos musical.

Bastou uma pequena participação de João Gilberto no disco Canção do Amor Demais de Elizeth Cardoso para as classes cariocas se perguntarem de onde vinha aquela batida diferente.

Em 1958, um jovem baiano chamado João Gilberto lançou um compacto simples contendo duas músicas: Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) e Bim Bom, do próprio João, que foi o marco oficial do movimento cultural chamado Bossa Nova.

O jovem João Gilberto
O jovem João Gilberto

No decorrer dos anos, a Bossa Nova passou de música elitista para popular brasileira. Com pérolas como “Garota de Ipanema”, “Samba de uma Nota Só”, “Corcovado”, entre outras, rompeu barreias e explodiu em 1959 com o LP Chega de Saudade do Papa da Bossa, João Gilberto.

Por conter forte influência norte-americana, o movimento consistiu em uma cisão ideológica na década de 1960. Um grupo formado por Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime propôs que o gênero praieiro tivesse uma aproximação com o morro. Com isso, entraram no time nomes de peso como Zé Ketti, Cartola e, até o baião de João do Valle.

Carlos Lyra, um grande nome da bossa, aderiu ao movimento ao compor a música Influência do Jazz. Assim como, em 1966, foi lançado o LP Os Afro-sambas de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

A segunda geração (1962-1966) foi marcada pela releitura do gênero carioca por nomes como Wilson Simonal, Nelson Motta, Paulo Sérgio Valle e outros tantos que contribuíram para o fortalecimento da Bossa Nova.

Na verdade, em resposta ao título, não sei onde possa estar a Bossa mas posso lhes afirmar que ela não morreu ou sumiu, só está dando um tempo. Leny Andrade, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Wanda Sá, Miúcha, Toquinho, Nara Leão ainda tocam nossos corações e ouvidos com suas interpretações.

Na Terra do Sol Poente, nos elevadores do país do Tio Sam ou até nos bunkers alemães, ainda soam as velhas notas de um velho violão de uma velha nação. Que o Beco das Garrafas nunca desapareça e que as pedras do Arpoador sejam sempre a da grande Bossa Nova.

 

Matheus Guimarães é estudante e apaixonado pela música brasileira

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