• O caminho zen

      “O monge zen o advertirá para que não se deixe consolar a fim de esquecer a dor, nem espere uma cura pelo tempo. Sua cura só advirá se ele aceitar seu destino e assumir serenamente o que este lhe impõe, sem indagar por que, logo a ele, coube tamanho sofrimento. Quem conseguir isto – embora cheio de dúvidas – desenvolve-se na dor

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  • Entrevista exclusiva com Bóson de Higgs

    Em rápido intervalo de sua corrida diária no LHC, na fronteira da Suíça com França, o Bóson de Higgs, a partícula mais revolucionária do Universo, concedeu ao ZonaCurva uma curta entrevista exclusiva. Recluso há bilhões de anos, a partícula nos contou sobre seu breve contato com Deus, a vida boêmia e de seu filme preferido, Blade Runner. Confira! Zonacurva – Como o senhor

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  • Piruetas à la Disney, batatas superfaturadas e Huck no planalto

    A contagem era regressiva e a pergunta de minha filha diária: “pai, quantos dias faltam para o Disney on Ice?” Finalmente, chega o dia. Família e quatro crianças rumam ao ginásio do Ibirapuera para assistir pela segunda vez Mickey e sua turma sobre lâminas no gelo. Os 30 reais do estacionamento foram só o começo. Saquinho de batata-frita, R$ 12, churro frio, R$

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  • Corrida, literatura e facebook

    O primeiro contato que tive com o escritor Ricardo Lísias foi em fevereiro deste ano na revista Piauí ao ler um texto sobre como a corrida e a participação na corrida de São Silvestre o ajudaram a superar um divórcio tumultuado. Me identifiquei com o texto na hora, também corro há mais de um ano, me esfalfei na SS 2011 e isso também

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  • O fato não existe

    Em A Chinesa (1967), filme engajado de Godard, a aluna pergunta ao professor em fictícia universidade revolucionária: “o que é um fato exatamente?”, o mestre responde que “fatos são coisas que existem objetivamente e a verdade é o laço que une tudo”. Matuto e matuto mais um pouco sobre a relação da frase com a mídia e percebo que esse tal laço redentor

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  • Jornalecos e jornalões

    “O que torna terrível o jornal não é (pelo menos: não é somente) a força econômica e política que o dirige. O jornal como meio de condicionamento da opinião já tinha sido definido quando nasceram as primeiras gazetas. Quando alguém deve escrever diariamente tantas notícias quantas permite o espaço disponível, de modo que sejam legíveis por um público de gostos, classe social e

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  • Fantasmas à solta

                Sempre passo por um Uno cinza estacionado próximo à minha casa. No banco traseiro, folhetos com fotos de paradas militares, jornalecos com frases nacionalistas e bandeiras do Brasil. Outro dia, me assustei com um livro no banco traseiro, na capa, uma foto tosca do ex-presidente Geisel e o título: “A verdade sobre Ernesto Geisel”.              Fui comprar pão e defronte à casa,

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  • As agruras e alegrias de certo pai no mundo das princesas

    Crio minha filha de 5 anos praticamente sozinho, com isso, aprendo um tanto e outro tanto. Em festinhas de aniversário de amiguinhas da escola, não espero conversar sobre futebol ou MMA, mas algumas mães podiam colaborar e evitar assuntos como, por exemplo, as diferenças entre a primeira e a segunda gravidez; Não olhem para mim como se eu fosse um alien quando espero

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  • Curta na curva – Veja mente

    Carta na manga Em segunda semana seguida na Carta Capital, Mino Carta aponta sua metralhadora giratória em direção à revista Veja.  O jornal dos Marinho agora também recebe chumbo grosso, após editorial em defesa da revista da Abril: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”  Em aperitivo, Mino diz: “os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples

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  • Paixão, carimbó e desmatamento

    A violência e a paixão sempre tiram os personagens dos filmes de Beto Brant do prumo. Não é diferente no novo filme do diretor, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, nos cinemas. Desta vez, Cauby (Gustavo Machado), fotógrafo nos cafundós do Pará, encontra a loucura e uma certa epifania em Lavínia, interpretada magistralmente por Camila Pitanga, tudo regado a florestas

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  • De Chirico e a melancolia nas cidades

    Se a melancolia do cineasta dinamarquês Lars von Trier materializa-se em um planeta que se chocará com a Terra, a  melancolia de De Chirico penetra na arquitetura das cidades. O pintor de origem grega desconstrói a cidade, lugar de inadequação do homem, em busca desesperada de solidão e silêncio. Mais caótica e criativa do que nunca, São Paulo e o seu MASP são

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  • Ginsberg e os esqueletos

    Um ano antes de morrer (1996), o poeta norte-americano Allen Ginsberg reuniu Paul Mc Cartney na guitarra e bateria, Philip Glass nos teclados e o baixista da banda de Patti Smith, Leny Kaye, para gravar a adaptação musical de seu poema A balada dos esqueletos. Allen Ginsberg nasceu em 3 de junho de 1926 em Newark, Nova Jersey e morreu em 5 de

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  • Louco é quem me diz

    ” É absurdo que eles me achem louco. Logo eu, que sou a pessoa mais santa e idealista desse mundo desvairado de hoje. Os verdadeiros santos eles consideram loucos, eles é que são loucos. Um doido me bate a carteira e eu acabo enfiado numa camisole de force por não ter sido suficientemente amoral. Os padres vêm ajudar esses insetos perdoando tudo na

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  • Dois médicos loucos e a histérica

    Para Cronenberg, o ser humano constitui-se basicamente de secreções e vísceras sob o comando de um cérebro perturbado. Esse todo esquisito sempre busca o sexo. Em seu mergulho nas origens da psicanálise, a personagem principal do novo filme do cineasta canadense, Um Método Perigoso, sofre de graves problemas sexuais e se contorce em caras e bocas em busca de ajuda. A histérica aspirante

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  • Deus também usa SMS

    Todos os dias pela manhã, recebo salmos da Bíblia em formato SMS em meu celular. Malaquias 2, 12; Hebreus, 3, 12; Jeremias 29, 11, e por aí vai . Catequização via operadora. Curioso, ligo para o celular que envia as mensagens e caixa postal direto: “sua mensagem será encaminhada à caixa postal e estará sujeita à cobrança após o sinal. Essa é a

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  • O paulistano

    O paulistano conforma-se com quase tudo. O paulistano vota errado. O paulistano sempre reclama do trânsito. O paulistano mora aqui para ganhar dinheiro. O  paulistano sonha em abrir uma pousada na praia. O paulistano envergonha-se de sua cidade. O paulistano escuta trovão e pensa em congestionamento. O paulistano adora a avenida Paulista. O paulistano conta os minutos para tomar sua cerveja no final

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  • Fonseca romântico

    Garoto idiossincrático esse José. Do mundo dos livros tira o alimento para sua realidade. A Paris de vielas estreitas transforma-se no mundo ‘real’ em que vive seus primeiros oito anos de vida, a lembrança da rotina na pequena e ‘irreal’ cidade mineira é nebulosa e episódica. Em tenra idade, lá pelos 9, já no Rio de Janeiro, José começa a deliciar-se com o

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  • Farra muito doida por Fausto Wolff

    (…) Como é bom, Entre o tanto e o que jamais Chegou a existir, Estar aqui. Quase terra, quase pranto, quase nada. Ser e existir assim desse jeito camarada Que abraça o tudo e o nada. Não dá pé (…) Estás no meio da onda, Companheiro. E é aí, Entre a escuridão e o sol, Que as coisas se explicam. Entre a atração

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  • Aperceba-se

    “É para o mundo exterior, que abrimos os olhos todas as manhãs, é nele que, de bom ou mau grado, temos de procurar viver. No mundo interior, não há trabalho nem monotonia. Visitamo-lo apenas em sonhos e devaneios, e sua singularidade é tal que nunca encontramos o mesmo mundo em duas ocasiões sucessivas” Aldous Huxley in As portas da percepção  

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  • O presente burocrático

    Papai Noel sentado no meio da Paulista, árvore gigante no Ibirapuera, o contagiante e irritante espírito natalino aportou em Sampa. Molharam o Gizmo. A lista de caixinhas multiplica-se como gremlins, do entregador de jornal, dos funcionários do prédio, do estacionamento, dos lixeiros, algumas de origem insólita. Distribuição de renda by Santa Claus. Todos ganham um por fora. Pelos quatro cantos, a pergunta que

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  • João do Rio e o jornalismo

    “Para ser jornalista, em qualquer parte do mundo civilizado, é preciso ter vocação e prática. Já se dispensa o bom senso, como se dispensa o estilo e a impertinente gramática. Aqui não há estilo, não há gramática, não há prática, não há bom senso, não há vocação. Um pequeno estudante, naturalmente poeta, tem uma crise monetária. A revisão incomoda-o. É difícil emendar o

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