lula lava jato

Pelo julgamento imediato de Lula

por Guilherme Scalzilli

As acusações frágeis e especulativas contra Lula ficaram muito aquém do aporte logístico e dos custos financeiros, pessoais e legais da Lava Jato. Depois de todas as arbitrariedades e devassas, submeter o petista a juízo meramente político é uma constrangedora frustração de expectativas.

Embora útil para aliviar a decepção com Sérgio Moro e preparar o ataque a seu alvo principal, a prisão de Eduardo Cunha terá efeitos colaterais. Além de envolver o inventor do golpe e o governo ilegítimo, servirá como padrão comparativo para os delitos atribuídos a Lula, expondo a afoiteza e a leviandade dos indiciamentos.

O sumiço de Rodrigo Janot, que garantiu a preservação inicial dos justiceiros, é sintoma da encruzilhada em que a operação agora se encontra. O recuo da caça a Lula ficou impossível, mas seu desgaste institucional beira os limites aceitos pelas cortes superiores, às quais restará a dura tarefa de maquiar o caráter ideológico dos processos.

O cenário é desfavorável, portanto, à prisão de Lula. Há o risco de transformá-lo em herói, anunciado nos paralelos com Nelson Mandela, e de embates com a militância que confirmem a escalada repressiva pós-golpe. A supressão dos seus direitos políticos ganhou status prioritário, senão exclusivo, no projeto condenatório.

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Os últimos episódios exibem a Lava Jato em fase crítica, sob questionamentos externos e internos, atuando no limite da legalidade para garimpar novos indícios que alterem o viés tendencioso das denúncias contra Lula. E arrastando o fardo Cunha, com todo o estrago que ele pode causar à moralidade nacional.

Por isso, a defesa de Lula deveria exigir, pública e judicialmente, celeridade na tramitação dos processos. Já que a anulação está descartada, o adiamento indefinido só contribui para o desgaste público do réu e para o oportunismo eleitoral da Lava Jato. Quanto mais cedo os casos avançarem, menos previsíveis serão os seus desfechos.

Nesse quadro de embate político e narrativo, Lula teria grandes benefícios tomando a atitude corajosa de se apresentar a julgamento e denunciando a tática protelatória da Lava Jato. Colocaria os algozes em posição desconfortável e reativa, tiraria deles o controle das pautas jornalísticas e forçaria um debate indigesto sobre a operação.

Na hipótese mais radical, Moro aprisiona Lula, retalia uma demanda legítima, ganha a pecha de incendiário e fabrica um mártir. Na mais amena, comprova a suspeita de manobrar eleitoralmente e assume que não tem elementos para condenar o petista. Em ambas as circunstâncias, Lula se diferencia dos réus ilustres que ficarão associados ao inexorável derretimento da Lava Jato.

Publicado originalmente no Blog do Guilherme Scalzilli.

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