A guerra e o Brasil

Colaborou Isabela Gama

O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA de 10 de março (quinta) recebeu novamente a mestranda em Relações Internacionais Giovana Branco. Desta vez para discutir os impactos do conflito russo no Brasil. O bate-papo contou com a presença do editor Zonacurva Fernando do Valle e Luis Lopes do portal Vishows.

Os impactos do conflito russo para o Brasil são muitos e a alta do preço da gasolina é o mais relevante. Apesar do Brasil ser considerado autossuficiente em petróleo com suas enormes reservas do pré-sal e a alta produtividade da Petrobrás, a política entreguista de Bolsonaro, que vende as refinarias brasileiras a preços baixos ao capital estrangeiro, coloca o Brasil em uma situação vulnerável no refino e abastecimento de combustíveis.

Por isso, houve um aumento da gasolina de quase 20% em 10 de março. Giovana relembra que a Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita, e que a guerra influenciou na alta do barril que chegou a 140 dólares, mais alto valor em uma década.

É importante considerar que a importação de derivados de petróleo é realizada em dólar, e a inflação brasileira corrói o poder de compra do real, complementando os motivos que levam a gasolina a alcançar preços exorbitantes para o consumidor final.

Meme da FUP (Federação Única dos Petroleiros) sobre a apatia da população com a alto preço da gasolina (Reprodução)

A pesquisadora afirma que o Brasil não é o mais afetado pela crise energética ocasionada pelo conflito. A situação dos países da Europa Ocidental é ainda mais complicada. A Alemanha é um dos países mais dependentes da energia russa, mais da metade do gás natural vem do país vizinho.

Ambos os países terminaram de construir o Nord Stream 2 (gasoduto com 1230 quilômetros entre Rússia e Alemanha) no final do ano passado e que ainda não entrou em funcionamento. Com a guerra, o gasoduto foi bloqueado como sanção à Rússia. O desespero do governo alemão, que corre o risco de falta de gás para o aquecimento das casas às vésperas do inverno europeu, o levou a fechar acordo às pressas com o Catar para fornecimento de gás.

A pesquisadora afirma que, na sua visão, essas sanções são egoístas, pois não levam em consideração a situação dos países da Europa. “As medidas parecem muito mais decisões unilaterais tomadas pelos Estados Unidos do que uma conversa com seus aliados”, afirma Giovana. Ela explica que, para os membros da União Europeia, a rivalidade com a Rússia não é benéfica, nem econômica ou politicamente, “são os norte-americanos que se sentem ameaçados com a presença russa”, completa.

Outro ponto abordado na live foram as notícias que surgiram nas últimas semanas sobre empresários russos com seus bens bloqueados ao redor do mundo. Um exemplo foi o de Roman Abramovich, proprietário do time inglês de futebol Chelsea, que foi proibido de vender o time, como forma de retaliação à invasão russa na Ucrânia, considerando que o bilionário tem ligações próximas a Putin. 

Giovana explica que os ataques aos oligarcas russos não vão ter o efeito que a comunidade internacional espera, visto que as relações entre o governo e esses empresários são diferentes do que estamos acostumados. “É como se houvesse um acordo, enquanto Putin não interfere na economia e nos negócios da elite russa, esses empresários não opinam nas atitudes do presidente”, explica.

 

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