• Um gênio sem lâmpada

    Ontem (domingo), primeiro de dezembro, um dos maiores ícones da história do cinema, Woody Allen, fez 78 anos. Allen Stewart Konigsberg é premiado diretor da sétima arte, o cinema. De estilo excêntrico, ele ficou conhecido primeiramente em 1964 como comediante por aparições em programas televisivos e por sua crítica sempre bem humorada em jornais e rádios. Mantendo a incrível média de um filme

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  • O sacrifício dos cordeiros

    Não é só de replicação da barbárie cotidiana que vive a TV aberta no Brasil. Outro “fenômeno” que se evidencia abusivo é a ocupação dos horários, de modo intermitente, por programas religiosos, no que se tem convencionado designar por igrejas eletrônicas, notadamente as do viés evangélico, sejam a Universal, Mundial, Renascer ou da Graça de Deus. “Em nome de Jesus”, tanto na TV quanto

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  • Onde está a Bossa Nova?

    Após a Proclamação da República, lá no século 19, a Semana de Arte Moderna de 1922 foi o único movimento cultural propriamente tupiniquim. Até os anos 50, o Brasil não respirava vanguarda, pelo menos musical. Bastou uma pequena participação de João Gilberto no disco Canção do Amor Demais de Elizeth Cardoso para as classes cariocas se perguntarem de onde vinha aquela batida diferente.

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  • Vida e morte de Pasolini

    Pasolini -A polêmica morte do cineasta Pier Paolo Pasolini é alvo de especulação até hoje. No dia 2 de novembro de 1975, na praia de Ostia, segundo a polícia, Pasolini foi assassinado pelo jovem Pino Pelosi. Cineasta, jornalista, escritor e poeta, Pasolini filmou, entre muitos outros, Mamma Roma (1962), Saló (1975) e Teorema (1968). Homossexual assumido, Pasolini tinha o hábito de namorar jovens

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  • Manifesto antropofágico de Oswald de Andrade

    MANIFESTO ANTROPOFÁGICO – O Manifesto Antropófago ou antropofágico foi publicado no primeiro exemplar da Revista de Antropofagia, em 1928. O Manifesto seguiu-se ao Manifesto do Pau-Brasil, de 1924. No manifesto de 1924, Oswald já enfatizava a necessidade de criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica do que vinha sendo produzido de inovador na cultura europeia na época. Figura ímpar

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  • Dia do poeta

      Ontem (dia 20 de outubro), foi celebrado o Dia dos Poetas. Leia poema de nosso colaborador, o poeta Marco Piantan, em homenagem ao dia:   Obrigado a todos os poetas Que dividiram seus infortúnios e alegrias comigo Que me fizeram companhia quando estava sozinho E nas noites mais sombrias Não me deixaram desistir de sonhar   Em suas almas torturadas pude me

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  • Martírio no claustro

    Outro dia, vi alegres freirinhas vendendo pães caseiros pelo bairro e imaginei quem escolhe tornar-se freira hoje em dia. Algumas possibilidades: tímidas interioranas, adolescentes manipuladas por mães e avós religiosas ou moças pobres e/ou idealistas. Mesmo as mais convictas noviças teriam suas certezas abaladas se lessem o clássico A Religiosa, do dramaturgo e romancista Denis Diderot, lançado em 1796, após sua morte. Estamos

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  • A obscena senhora silêncio

    A busca de uma trincheira em que se viva literatura. Além de seus livros, sempre me fascinou a atitude de Hilda Hilst, que, aos 33 anos, abandonou Sampa e rumou para sua Casa do Sol, há 10 quilômetros de Campinas, um verdadeiro refúgio para a criação artística como profissão de fé. Hilda viveu lá por décadas rodeada por 30 cachorros e gatos e

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  • A classe mérdea

    “Empanturrado ontem e bebum, no coquetel, escarneci e, de voz empastada, eu disse classe mérdea. Com este embrulho no estômago, pesadão e ressacado, pertenço a que classe senão a ela? … Mas da classe média você não vai escapar, seu. A armadilha é inteiriça, arapuca blindada, depois que você caiu. Tem anos e anos de aperfeiçoamento, sofisticação, tecnologia, ah o cartão de crédito,

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  • Di-Glauber na web

    Di-Glauber – “Juntos, bebemos champagne, mescal, uísque, e Paraty, juntos, sorrimos e cantamos no México e em Paris…” Os versos frenéticos de Glauber Rocha fazem parte de sua insólita homenagem ao amigo e pintor, Di Cavalcanti. Di-Glauber foi rodado no velório do pintor em 26 de outubro de 1976 no MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro. Lançado em 1977, o

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  • O terrorismo poético de Hakim Bey

      “Avatares do caos agem como espiões, sabotadores, criminosos do amor louco, nem generosos nem egoístas, acessíveis como crianças, semelhantes a bárbaros, perseguidos por obsessões, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terríveis, espelhos para a contemplação, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos & sentidos Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entre as paredes da Igreja, do Estado, da Escola & da Empresa, todos

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  • Comédia romântica tarja preta (“O lado bom da vida”)

    História contada à exaustão, o roteiro de O Lado bom da vida (Silver Linings Playbook) baseia-se em dois corações sofridos em busca de redenção. O título em português com cara de livro de autoajuda esconde um filme com pretensões de manual das relações amorosas contemporâneas, regado a antidepressivos e remédios controlados. Se, por um lado, a intenção resultou em uma surpreendente indicação ao

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  • A saga da vanguarda poética paulistana

    A busca pelo companheirismo sempre foi a urgência de muitos criadores e fez surgir movimentos artísticos e literários. A efervescência de determinada época, as coincidências e as amizades levam artistas ao convívio entre iguais e incrementa e, por vezes, até modifica o trabalho solitário de cada um deles. As reuniões no apartamento da escritora Gertrude Stein na rue de Fleurus, na rive Gauche

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  • Os cabelos brancos de On The road

    Benzedrina – Em cena do filme On The Road, Sal Paradise, alter-ego do escritor Jack Kerouac adoece em pleno México. Dean Moriaty, seu amigo e companheiro de armas no livro e na vida (como Neal Cassady) o abandona em um muquifo mexicano. Neste momento, algo se quebra. A amizade que os une na busca de experiências e no enfrentamento de um mundo hostil

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  • Corrida, literatura e facebook

    O primeiro contato que tive com o escritor Ricardo Lísias foi em fevereiro deste ano na revista Piauí ao ler um texto sobre como a corrida e a participação na corrida de São Silvestre o ajudaram a superar um divórcio tumultuado. Me identifiquei com o texto na hora, também corro há mais de um ano, me esfalfei na SS 2011 e isso também

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  • Paixão, carimbó e desmatamento

    A violência e a paixão sempre tiram os personagens dos filmes de Beto Brant do prumo. Não é diferente no novo filme do diretor, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, nos cinemas. Desta vez, Cauby (Gustavo Machado), fotógrafo nos cafundós do Pará, encontra a loucura e uma certa epifania em Lavínia, interpretada magistralmente por Camila Pitanga, tudo regado a florestas

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  • De Chirico e a melancolia nas cidades

    Se a melancolia do cineasta dinamarquês Lars von Trier materializa-se em um planeta que se chocará com a Terra, a  melancolia de De Chirico penetra na arquitetura das cidades. O pintor de origem grega desconstrói a cidade, lugar de inadequação do homem, em busca desesperada de solidão e silêncio. Mais caótica e criativa do que nunca, São Paulo e o seu MASP são

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  • Ginsberg e os esqueletos

    Um ano antes de morrer (1996), o poeta norte-americano Allen Ginsberg reuniu Paul Mc Cartney na guitarra e bateria, Philip Glass nos teclados e o baixista da banda de Patti Smith, Leny Kaye, para gravar a adaptação musical de seu poema A balada dos esqueletos. Allen Ginsberg nasceu em 3 de junho de 1926 em Newark, Nova Jersey e morreu em 5 de

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  • Dois médicos loucos e a histérica

    Para Cronenberg, o ser humano constitui-se basicamente de secreções e vísceras sob o comando de um cérebro perturbado. Esse todo esquisito sempre busca o sexo. Em seu mergulho nas origens da psicanálise, a personagem principal do novo filme do cineasta canadense, Um Método Perigoso, sofre de graves problemas sexuais e se contorce em caras e bocas em busca de ajuda. A histérica aspirante

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  • Fonseca romântico

    Garoto idiossincrático esse José. Do mundo dos livros tira o alimento para sua realidade. A Paris de vielas estreitas transforma-se no mundo ‘real’ em que vive seus primeiros oito anos de vida, a lembrança da rotina na pequena e ‘irreal’ cidade mineira é nebulosa e episódica. Em tenra idade, lá pelos 9, já no Rio de Janeiro, José começa a deliciar-se com o

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  • O movimento punk nunca há de morrer

    Com edição nervosa, o documentário Botinada, a origem do punk no Brasil, com direção da ex-cara roqueira da MTV, Gastão Moreira, relembra as histórias e tretas do punk no final dos anos 70 e início dos 80 O início já surpreende. Abrem-se as cortinas com frase de Chico Buarque (isso mesmo!), o ícone da MPB soltou na época: “se o punk é o

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