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	<title>Zona Curva</title>
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	<description>cobertura exclusiva do SXSW no Zona Curva</description>
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	<title>Zona Curva</title>
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		<title>OPERAÇÃO CONDOR, A SÉRIE &#8211; CONVERSA AO VIVO COM O DIRETOR CLEONILDO CRUZ</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando do Valle]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Feb 2025 14:29:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Conversa ao Vivo Zona Curva]]></category>
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					<description><![CDATA[A Operação Condor, aliança entre Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia, sob o comando dos Estados Unidos, resume a tragédia das ditaduras na América Latina. A operação permitiu a troca de informações para perseguir, torturar e matar opositores da ditadura no continente. Os diretores Cleonildo Cruz e Luiz Gonzaga Belluzzo comandam o projeto de uma série que irá se debruçar sobre os detalhes dessa época tão macabra. O diretor e documentarista Cleonildo Cruz é nosso convidade do CONVERSA AO VIVO ZONACURVA e irá nos contar os detalhes da série O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA do canal Zona Curva MÍDIA LIVRE aborda temas relacionados à memória da ditadura militar no Brasil, com foco na “Operação Condor”. O programa destaca a relevância da memória histórica, especialmente em um contexto onde há uma crescente falta de informação sobre o passado autoritário do Brasil. Os convidados discutem a evolução da luta pela verdade e justiça dos crimes da ditadura, com ênfase na Anistia de 1979, considerada insuficiente e enganosa. O historiador e cineasta Leonildo Cruz compartilha sua experiência na produção de documentários, incluindo a série sobre a Operação Condor, que visa abordar as atrocidades cometidas durante a ditadura em vários países da América Latina. O diálogo também menciona eventos contemporâneos que refletem a fragilidade da democracia e as ameaças do autoritarismo, evidenciando a necessidade de resistência contínua e o papel da arte e da cultura na conscientização e na luta contra a desinformação. DESTAQUES DO PAPO 📚 História da Ditadura: Discussão sobre a importância de recordar e entender o passado para evitar a repetição de erros históricos. 🔍 Operação Condor: Abordagem da série sobre a Operação Condor, que retrata a colaboração entre governos militares da América Latina e os Estados Unidos. ⚖️ Anistia de 1979: Análise crítica da Anistia, considerada uma forma de legitimar os crimes da ditadura civil -militar sem responsabilização dos agentes do Estado. 🌐 Impacto Global: A conexão entre eventos históricos na América Latina e o atual contexto político mundial, incluindo a ascensão de líderes de extrema direita. 🎨 Papel da Arte: Discussão sobre como a arte e a cultura podem ser ferramentas poderosas na luta pela memória e pela verdade frente ao revisionismo histórico. 🤝 Parcerias e Projetos: Anúncio de projetos colaborativos, incluindo documentários e séries que buscam resgatar a memória histórica e promover a justiça social. Key Insights 📈 Necessidade de Memória Histórica: A memória da ditadura militar no Brasil é fundamental para a formação de uma sociedade crítica e informada. A falta de conhecimento sobre esse período pode levar à repetição de erros do passado. 🚫 Legitimidade da Anistia: A Anistia de 1979 é vista como um “grande engodo”, que não responsabilizou efetivamente os torturadores e colaboradores do regime militar, perpetuando a impunidade. 🌍 Conexões Internacionais: A Operação Condor exemplifica como as ditaduras na América Latina estavam interligadas, com apoio dos EUA, refletindo um padrão de violência que transcendeu fronteiras e continua a influenciar a política contemporânea. 🎬 Importância do Documentário: Documentários e produções audiovisuais são vitais para contar histórias que não são abordadas na mídia convencional, permitindo que o público compreenda a profundidade e o impacto das violências do passado. ⚔️ Resistência Contemporânea: Diante do ressurgimento de ideologias autoritárias, a resistência deve ser constante e multifacetada, incorporando diferentes formas de luta, incluindo a arte, a educação e a mobilização social. 💬 Reinterpretação da Anistia: A discussão atual sobre a reinterpretação da Lei da Anistia à luz de tratados internacionais é crucial para a responsabilização dos crimes do passado; a luta por justiça deve continuar. Este resumo e análise buscam enfatizar a importância de lembrar e discutir o passado autoritário do Brasil, destacando a relevância da arte e da memória na construção de uma sociedade mais justa e crítica. A luta pela verdade e pela justiça é contínua, e o papel dos canais de comunicação e das produções culturais é fundamental nessa trajetória.]]></description>
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<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="OPERAÇÃO CONDOR, A SÉRIE - CONVERSA AO VIVO COM O DIRETOR CLEONILDO CRUZ" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/QgGVlsOgubU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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<p>A Operação Condor, aliança entre Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia, sob o comando dos Estados Unidos, resume a tragédia das ditaduras na América Latina. </p>



<p>A operação permitiu a troca de informações para perseguir, torturar e matar opositores da ditadura no continente. </p>



<p>Os diretores Cleonildo Cruz e Luiz Gonzaga Belluzzo comandam o projeto de uma série que irá se debruçar sobre os detalhes dessa época tão macabra. </p>



<p>O diretor e documentarista Cleonildo Cruz é nosso convidade do CONVERSA AO VIVO ZONACURVA e irá nos contar os detalhes da série  </p>



<p> O CONVERSA AO VIVO ZONACURVA do canal Zona Curva MÍDIA LIVRE aborda temas relacionados à memória da ditadura militar no Brasil, com foco na “Operação Condor”. </p>



<p> O programa destaca a relevância da memória histórica, especialmente em um contexto onde há uma crescente falta de informação sobre o passado autoritário do Brasil. Os convidados discutem a evolução da luta pela verdade e justiça dos crimes da ditadura, com ênfase na Anistia de 1979, considerada insuficiente e enganosa. </p>



<p>O historiador e cineasta Leonildo Cruz compartilha sua experiência na produção de documentários, incluindo a série sobre a Operação Condor, que visa abordar as atrocidades cometidas durante a ditadura em vários países da América Latina. </p>



<p>O diálogo também menciona eventos contemporâneos que refletem a fragilidade da democracia e as ameaças do autoritarismo, evidenciando a necessidade de resistência contínua e o papel da arte e da cultura na conscientização e na luta contra a desinformação. </p>



<p>DESTAQUES DO PAPO</p>



<p>  <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f4da.png" alt="📚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> História da Ditadura: Discussão sobre a importância de recordar e entender o passado para evitar a repetição de erros históricos. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f50d.png" alt="🔍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Operação Condor: Abordagem da série sobre a Operação Condor, que retrata a colaboração entre governos militares da América Latina e os Estados Unidos. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/2696.png" alt="⚖" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Anistia de 1979: Análise crítica da Anistia, considerada uma forma de legitimar os crimes da ditadura civil -militar sem responsabilização dos agentes do Estado. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f310.png" alt="🌐" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Impacto Global: A conexão entre eventos históricos na América Latina e o atual contexto político mundial, incluindo a ascensão de líderes de extrema direita. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3a8.png" alt="🎨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Papel da Arte: Discussão sobre como a arte e a cultura podem ser ferramentas poderosas na luta pela memória e pela verdade frente ao revisionismo histórico. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f91d.png" alt="🤝" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Parcerias e Projetos: Anúncio de projetos colaborativos, incluindo documentários e séries que buscam resgatar a memória histórica e promover a justiça social. Key Insights </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f4c8.png" alt="📈" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Necessidade de Memória Histórica: A memória da ditadura militar no Brasil é fundamental para a formação de uma sociedade crítica e informada. A falta de conhecimento sobre esse período pode levar à repetição de erros do passado. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f6ab.png" alt="🚫" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Legitimidade da Anistia: A Anistia de 1979 é vista como um “grande engodo”, que não responsabilizou efetivamente os torturadores e colaboradores do regime militar, perpetuando a impunidade. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f30d.png" alt="🌍" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Conexões Internacionais: A Operação Condor exemplifica como as ditaduras na América Latina estavam interligadas, com apoio dos EUA, refletindo um padrão de violência que transcendeu fronteiras e continua a influenciar a política contemporânea. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f3ac.png" alt="🎬" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Importância do Documentário: Documentários e produções audiovisuais são vitais para contar histórias que não são abordadas na mídia convencional, permitindo que o público compreenda a profundidade e o impacto das violências do passado. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/2694.png" alt="⚔" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Resistência Contemporânea: Diante do ressurgimento de ideologias autoritárias, a resistência deve ser constante e multifacetada, incorporando diferentes formas de luta, incluindo a arte, a educação e a mobilização social. </p>



<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/16.0.1/72x72/1f4ac.png" alt="💬" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Reinterpretação da Anistia: A discussão atual sobre a reinterpretação da Lei da Anistia à luz de tratados internacionais é crucial para a responsabilização dos crimes do passado; a luta por justiça deve continuar. Este resumo e análise buscam enfatizar a importância de lembrar e discutir o passado autoritário do Brasil, destacando a relevância da arte e da memória na construção de uma sociedade mais justa e crítica. A luta pela verdade e pela justiça é contínua, e o papel dos canais de comunicação e das produções culturais é fundamental nessa trajetória.</p>
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		<title>SXSW 2024: evento reúne tecnologia, cultura e inovação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 14:42:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cinema e TV]]></category>
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					<description><![CDATA[O South by Southwest(SXSW®) é um festival que se torna anualmente palco para as tendências de tecnologia, cinema, música, educação e cultura. É por meio da convergência de áreas do conhecimento que o evento se tornou destino desejado por profissionais interessados em discutir o futuro. De 8 a 16 de março, o “Southby” vai trazer mais de 450 sessões: showcases de música e comédia, exibições de filmes e televisão, exposições,, oportunidades de desenvolvimento profissional e networking, competições de tecnologia e cerimônias de premiação.  “Seja [para saber] como a IA mudará a maneira que criamos ou de que maneira a narrativa pode ampliar ainda mais vozes que representam plenamente nossas comunidades, no SXSW estamos constantemente discutindo como o futuro impactará nosso mundo”, diz Hugh Forrest, diretor de programação do evento. Toda essa programação é dividida em 24 grupos chamados de trilhas pelos organizadores. A Inteligência Artificial deve ser novamente um assunto transversal a muitas das sessões do evento. Se no ano passado, a discussão era sobre as suas potencialidades e possibilidades, neste ano os títulos dos 65 eventos com este tema já dão a pista de que é necessário entender, analisar e prever seus impactos. Especialistas norte-americanos das mais diversas áreas estão atentos à sua influência nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Por aqui, no Brasil, também há expectativa sobre qual será sua influência nas eleições de prefeitos e vereadores. Música, cinema e filmes O SXSW é composto por quatro eventos de porte: a Conferência, o Festival de Música, o Festival de Cinema e TV, além do Festival de Comédia. Serão ao menos 330 artistas da música nos seis dias de festival (11 a 16 de março), com estrelas de diversos quilates, como os norte-americanos do The Black Keys ou o brasileiro Marcelo D2, e iniciantes como a não-binária Thus Love. No festival audiovisual, haverá 115 apresentações e entre elas 89 estreias mundiais.&#160; Confiram abaixo as entrevistas que fizemos no SXSW 2023]]></description>
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<p>O South by Southwest(SXSW®) é um festival que se torna anualmente palco para as tendências de tecnologia, cinema, música, educação e cultura. É por meio da convergência de áreas do conhecimento que o evento se tornou destino desejado por profissionais interessados em discutir o futuro. De 8 a 16 de março, o “Southby” vai trazer mais de 450 sessões: showcases de música e comédia, exibições de filmes e televisão, exposições,, oportunidades de desenvolvimento profissional e networking, competições de tecnologia e cerimônias de premiação. </p>



<p>“Seja [para saber] como a IA mudará a maneira que criamos ou de que maneira a narrativa pode ampliar ainda mais vozes que representam plenamente nossas comunidades, no SXSW estamos constantemente discutindo como o futuro impactará nosso mundo”, diz Hugh Forrest, diretor de programação do evento.</p>



<p>Toda essa programação é dividida em 24 grupos chamados de trilhas pelos organizadores. A Inteligência Artificial deve ser novamente um assunto transversal a muitas das sessões do evento. Se no ano passado, a discussão era sobre as suas potencialidades e possibilidades, neste ano os títulos dos 65 eventos com este tema já dão a pista de que é necessário entender, analisar e prever seus impactos. Especialistas norte-americanos das mais diversas áreas estão atentos à sua influência nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. Por aqui, no Brasil, também há expectativa sobre qual será sua influência nas eleições de prefeitos e vereadores.</p>



<p><em>Música, cinema e filmes</em></p>



<p>O SXSW é composto por quatro eventos de porte: a Conferência, o Festival de Música, o Festival de Cinema e TV, além do Festival de Comédia. Serão ao menos 330 artistas da música nos seis dias de festival (11 a 16 de março), com estrelas de diversos quilates, como os norte-americanos do The Black Keys ou o brasileiro Marcelo D2, e iniciantes como a não-binária Thus Love. No festival audiovisual, haverá 115 apresentações e entre elas 89 estreias mundiais.&nbsp;</p>



<p><strong>Confiram abaixo as entrevistas que fizemos no SXSW 2023</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio" style="margin-top:0;margin-right:0;margin-bottom:0;margin-left:0"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="RETROSPECTIVA SXSW 2023 EP2: Beverly Kills, Ask Carol e The Vices" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/SZpZR3KUiAs?list=PLS3zJPIj92GL9nkhXWZbZQWGTmAgsrIGA" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
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			</item>
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		<title>A guerra fria esquenta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frei Betto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Mar 2023 17:21:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Escritos]]></category>
		<category><![CDATA[#democracia]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[indústria bélica americana]]></category>
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					<description><![CDATA[Guerra fria &#8211; Os EUA, o mais poderoso império da história, são como o deus asteca Tezcatlipoca, alimenta-se de vítimas humanas. Um dos principais motores de sua possante economia é a indústria bélica. É preciso que haja guerras para que Wall Street obtenha altos dividendos. Ao longo do século 20, o inimigo permanente era o comunismo. Combatê-lo justificava gastos bilionários, e até mesmo golpes de Estado na América Latina para implantar ditaduras sanguinárias. Derrubado o Muro de Berlim e desaparecida a União Soviética, a Casa Branca precisava ter novo alvo para evitar a ociosidade da máquina bélica. E não tardou em encontrá-lo: o terrorismo. Com a vantagem de não ser um inimigo geograficamente localizável nem a ser vencido, como em uma guerra entre países. É um inimigo a ser permanentemente combatido, o que assegura perenidade ao apetite insaciável de Tezcatlipoca. Na segunda semana de seu mandato, Trump declarou: “Estou assinando uma ação executiva para iniciar uma grande reconstrução dos serviços militares dos EUA”. Seu secretário de Defesa, James “Mad Dog” Mattis, disse ao Washigton Post ser preciso “examinar como realizar operações contra concorrentes próximos não identificados” . Óbvio, não se referia a OVNIs, e sim à Rússia e à China. Em 19 de janeiro de 2018 foi mais explícito: “Apesar de continuarmos a promover a campanha contra os terroristas, na qual estamos engajados hoje, a competição entre grandes potências, não o terrorismo, é agora o foco principal da segurança nacional dos EUA”. Segundo o Departamento de Defesa, em relatório de 2018, os EUA mantêm 625 bases militares oficiais em países estrangeiros. O pesquisador político David Vine revelou, em 2021, que, contabilizadas as bases clandestinas, haveria cerca de 750 bases militares estadunidenses. Rafael Correa, quando presidente do Equador, solicitou à Casa Branca permissão para abrir uma base militar equatoriana em Miami, caso os EUA quisessem continuar a manter a base aérea de Manta, na costa do Pacífico. Manta foi fechada. O orçamento militar dos EUA (2023) é de US$ 858 bilhões, 35% do total mundial. Qual o objetivo de tanto dinheiro jogado fora em um mundo que abriga 3 bilhões de pessoas na pobreza, das quais 821 milhões padecem fome crônica? Proteger o modelo made in USA de democracia, leia-se, a apropriação privada do capital. Segundo Chomsky, “sempre que houve conflito entre democracia e ordem, definida como proteção das elites na acumulação do capital, os EUA ficaram do lado desta” . Essa perversa ideologia deita raízes no século 19, quando James Madison, um dos “pais fundadores da nação”, declarou: “Nas democracias, os ricos devem ser poupados; não apenas sua propriedade não deve ser dividida, mas também suas rendas devem ser protegidas.” A defesa da propriedade privada (de uns poucos, evidentemente) e da acumulação privada do capital exige também proteção interna. Daí a principal arma ideológica do sistema: o medo! Medo do negro, medo do imigrante, medo dos que não são cristãos ou judeus, medo dos pobres. Hoje, o que a Casa Branca mais teme é que a China ultrapasse os EUA em inovação tecnológica e seja o polo hegemônico do planeta. Isso porque o gigante asiático tem dinheiro suficiente para investir em pesquisas, já que não mantém nenhuma base militar fora de suas fronteiras e gasta apenas US$ 230 bilhões no setor bélico. Por isso, o imperialismo provoca a China de todas as maneiras, visando a forçá-la a entrar na corrida armamentista, da qual a Rússia participa. Para os EUA, é desesperador perder a hegemonia mundial adquirida após a Segunda Grande Guerra. Hoje, no mundo multipolar, a China desponta como a mais forte economia do planeta. E o arsenal nuclear da Rússia supera o dos EUA. A Casa Branca se mostra indignada com a invasão da Ucrânia pela Rússia. Alega que não houve consentimento da ONU. Haja cinismo! Os EUA invadiram a Rússia em 1918, sem sucesso. E, sem consentimento do Conselho de Segurança da ONU, invadiram Santo Domingo, em 1965; invadiram e bombardearam os territórios do Vietnã e do Camboja durante toda a década de 1960; invadiram o território da Somália em 1993 (300 mil mortos); do Afeganistão em 2001 (180 mil mortos); do Iraque em 2003 (300 mil mortos), da Líbia em 2011 (40 mil mortos); da Síria, em 2015 (600 mil mortos); e finalmente, do Iêmen, onde já morreram aproximadamente 240 mil pessoas (Fiori, 2023). Quem protesta pela ocupação usamericana de Porto Rico desde 1898, e de Guantánamo, em Cuba, desde 1903? E do bloqueio a Cuba, que dura mais de 60 anos? Será amarga, para a Casa Branca, a provável derrota da Ucrânia pela Rússia. Biden terá de engolir a seco, consciente de que isso afetará sua reeleição no próximo ano. Sabe que sua única reação “à altura” seria catastrófica para a humanidade: o confronto nuclear. Os países da União Europeia, monitorados pelos EUA via Otan, sabem também que a guerra da Rússia contra a Ucrânia é um atoleiro no qual se meteram. Só não sabem como sair dele. E o mais grave: todas as sanções impostas à Rússia em nada afetaram o país. Pelo contrário, o rublo se fortalece. E vários países europeus, a começar pela Alemanha, já estavam irritados com as explosões que, em setembro de 2022, destruíram os gasodutos Nord Stream 1 e 2 no Mar Báltico, que os abastecia de gás natural. Agora a irritação deu lugar à fúria: não foram os russos que interromperam o fornecimento; a responsável pelas sabotagens foi a CIA. Ora, aqui no Ocidente conhecemos a narrativa do caçador, não a da lebre. Nossa cabeça é feita por Hollywood e pelas fantasias de Walt Disney, que nos impingem a convicção de que, para a Casa Branca, a liberdade é mais que o nome de uma estátua na divisa entre Nova York e New Jersey. E multidões acreditam no discurso fake de Tio Sam. Até porque, neste lado ocidental do mundo, pouco sabemos da versão do lado oriental.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Guerra fria &#8211; Os EUA, o mais poderoso império da história, são como o deus asteca Tezcatlipoca, alimenta-se de vítimas humanas. Um dos principais motores de sua possante economia é a indústria bélica. É preciso que haja guerras para que Wall Street obtenha altos dividendos.</p>



<p>Ao longo do século 20, o inimigo permanente era o comunismo. Combatê-lo justificava gastos bilionários, e até mesmo golpes de Estado na América Latina para implantar ditaduras sanguinárias.</p>



<p>Derrubado o Muro de Berlim e desaparecida a União Soviética, a Casa Branca precisava ter novo alvo para evitar a ociosidade da máquina bélica. E não tardou em encontrá-lo: o terrorismo. Com a vantagem de não ser um inimigo geograficamente localizável nem a ser vencido, como em uma guerra entre países. É um inimigo a ser permanentemente combatido, o que assegura perenidade ao apetite insaciável de Tezcatlipoca.</p>



<p>Na segunda semana de seu mandato, Trump declarou: “Estou assinando uma ação executiva para iniciar uma grande reconstrução dos serviços militares dos EUA”. Seu secretário de Defesa, James “Mad Dog” Mattis, disse ao Washigton Post ser preciso “examinar como realizar operações contra concorrentes próximos não identificados” . Óbvio, não se referia a OVNIs, e sim à Rússia e à China. Em 19 de janeiro de 2018 foi mais explícito: “Apesar de continuarmos a promover a campanha contra os terroristas, na qual estamos engajados hoje, a competição entre grandes potências, não o terrorismo, é agora o foco principal da segurança nacional dos EUA”.</p>



<p>Segundo o Departamento de Defesa, em relatório de 2018, os EUA mantêm 625 bases militares oficiais em países estrangeiros. O pesquisador político David Vine revelou, em 2021, que, contabilizadas as bases clandestinas, haveria cerca de 750 bases militares estadunidenses.</p>



<p>Rafael Correa, quando presidente do Equador, solicitou à Casa Branca permissão para abrir uma base militar equatoriana em Miami, caso os EUA quisessem continuar a manter a base aérea de Manta, na costa do Pacífico. Manta foi fechada.</p>



<p>O orçamento militar dos EUA (2023) é de US$ 858 bilhões, 35% do total mundial. Qual o objetivo de tanto dinheiro jogado fora em um mundo que abriga 3 bilhões de pessoas na pobreza, das quais 821 milhões padecem fome crônica? Proteger o modelo <em>made in USA</em> de democracia, leia-se, a apropriação privada do capital. Segundo Chomsky, “sempre que houve conflito entre democracia e ordem, definida como proteção das elites na acumulação do capital, os EUA ficaram do lado desta” .</p>



<p>Essa perversa ideologia deita raízes no século 19, quando James Madison, um dos “pais fundadores da nação”, declarou: “Nas democracias, os ricos devem ser poupados; não apenas sua propriedade não deve ser dividida, mas também suas rendas devem ser protegidas.”</p>



<p>A defesa da propriedade privada (de uns poucos, evidentemente) e da acumulação privada do capital exige também proteção interna. Daí a principal arma ideológica do sistema: o medo! Medo do negro, medo do imigrante, medo dos que não são cristãos ou judeus, medo dos pobres.</p>



<p>Hoje, o que a Casa Branca mais teme é que a China ultrapasse os EUA em inovação tecnológica e seja o polo hegemônico do planeta. Isso porque o gigante asiático tem dinheiro suficiente para investir em pesquisas, já que não mantém nenhuma base militar fora de suas fronteiras e gasta apenas US$ 230 bilhões no setor bélico. Por isso, o imperialismo provoca a China de todas as maneiras, visando a forçá-la a entrar na corrida armamentista, da qual a Rússia participa.</p>



<p>Para os EUA, é desesperador perder a hegemonia mundial adquirida após a Segunda Grande Guerra. Hoje, no mundo multipolar, a China desponta como a mais forte economia do planeta. E o arsenal nuclear da Rússia supera o dos EUA.</p>



<p>A Casa Branca se mostra indignada com a invasão da Ucrânia pela Rússia. Alega que não houve consentimento da ONU. Haja cinismo! Os EUA invadiram a Rússia em 1918, sem sucesso. E, sem consentimento do Conselho de Segurança da ONU, invadiram Santo Domingo, em 1965; invadiram e bombardearam os territórios do Vietnã e do Camboja durante toda a década de 1960; invadiram o território da Somália em 1993 (300 mil mortos); do Afeganistão em 2001 (180 mil mortos); do Iraque em 2003 (300 mil mortos), da Líbia em 2011 (40 mil mortos); da Síria, em 2015 (600 mil mortos); e finalmente, do Iêmen, onde já morreram aproximadamente 240 mil pessoas (Fiori, 2023).</p>



<p>Quem protesta pela ocupação usamericana de Porto Rico desde 1898, e de Guantánamo, em Cuba, desde 1903? E do bloqueio a Cuba, que dura mais de 60 anos?</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter wp-image-13752 size-full"><img decoding="async" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/03/IMG_20230323_153114.jpg" alt="poder bélico Estados Unidos" class="wp-image-13752"/><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;O orçamento militar dos EUA (2023) é de US$ 858 bilhões, 35% do total mundial&#8221; (Reprodução)</figcaption></figure>



<p>Será amarga, para a Casa Branca, a provável derrota da Ucrânia pela Rússia. Biden terá de engolir a seco, consciente de que isso afetará sua reeleição no próximo ano. Sabe que sua única reação “à altura” seria catastrófica para a humanidade: o confronto nuclear.</p>



<p>Os países da União Europeia, monitorados pelos EUA via Otan, sabem também que a guerra da Rússia contra a Ucrânia é um atoleiro no qual se meteram. Só não sabem como sair dele. E o mais grave: todas as sanções impostas à Rússia em nada afetaram o país. Pelo contrário, o rublo se fortalece. E vários países europeus, a começar pela Alemanha, já estavam irritados com as explosões que, em setembro de 2022, destruíram os gasodutos Nord Stream 1 e 2 no Mar Báltico, que os abastecia de gás natural. Agora a irritação deu lugar à fúria: não foram os russos que interromperam o fornecimento; a responsável pelas sabotagens foi a CIA.</p>



<p>Ora, aqui no Ocidente conhecemos a narrativa do caçador, não a da lebre. Nossa cabeça é feita por Hollywood e pelas fantasias de Walt Disney, que nos impingem a convicção de que, para a Casa Branca, a liberdade é mais que o nome de uma estátua na divisa entre Nova York e New Jersey. E multidões acreditam no discurso fake de Tio Sam. Até porque, neste lado ocidental do mundo, pouco sabemos da versão do lado oriental.</p>



<figure class="wp-block-embed"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Yx4vWsuhxy"><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/capitalismo-x-comunismo-por-nixon-e-kruschev/" target="_blank" rel="noopener">Capitalismo x comunismo, por Nixon e Kruschev</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Capitalismo x comunismo, por Nixon e Kruschev&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/capitalismo-x-comunismo-por-nixon-e-kruschev/embed/#?secret=VTcj81JECB#?secret=Yx4vWsuhxy" data-secret="Yx4vWsuhxy" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="vPvV8kBw5a"><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/tio-sam-capitalismo/" target="_blank" rel="noopener">Tio Sam, ajuda aí&#8230;</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Tio Sam, ajuda aí&#8230;&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/tio-sam-capitalismo/embed/#?secret=lXR0C32mlr#?secret=vPvV8kBw5a" data-secret="vPvV8kBw5a" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="0G1fT4KT0P"><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-america-latina-e-os-estados-unidos/" target="_blank" rel="noopener">A América Latina e os Estados Unidos</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A América Latina e os Estados Unidos&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-america-latina-e-os-estados-unidos/embed/#?secret=7Df29kCrt4#?secret=0G1fT4KT0P" data-secret="0G1fT4KT0P" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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		<title>As armadilhas políticas das fake news</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Castilho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 19:49:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
		<category><![CDATA[fake news]]></category>
		<category><![CDATA[fake news conceito]]></category>
		<category><![CDATA[fake news significado]]></category>
		<category><![CDATA[governo brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[grande imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[política brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[A decisão do governo federal de ingressar no combate à proliferação de notícias falsas (fake news) na imprensa e nas redes sociais esconde armadilhas políticas que podem causar sérios embaraços ao presidente Lula, porque é um tema complexo sobre o qual é difícil estabelecer um controle absoluto. Na verdade, o combate às fake news está mais na esfera da comunicação social e menos no âmbito do poder executivo, já que é muito arriscado criar regras rígidas para neutralizar um problema que ganhou grandes dimensões justamente porque se aproveitou da escassa experiência de nossa sociedade com o manejo da informação digitalizada. O fenômeno das notícias falsas, incompletas, distorcidas ou descontextualizadas já é bastante antigo. Convivemos com ele há mais de um século, período em que se manifestava através de jornais, revistas, noticiários radiofônicos e telejornais. As fake news passavam, no entanto, quase desapercebidas porque a comunicação jornalística pré-internet era controlada por um reduzido grupo de grandes empresas, na maioria privadas. Com a chegada das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), no final do século XX, surgiram as redes sociais virtuais que passaram a concorrer com a imprensa convencional na produção de fluxos informativos oferecidos à população. A concorrência se transformou em batalha pela sobrevivência com a migração de anunciantes para o espaço virtual, especialmente depois que a telefonia celular facilitou o acesso às grandes redes virtuais como Facebook e Google. É neste contexto que surge a polêmica sobre o combate às fake news, basicamente um argumento manobrado pela imprensa convencional para tentar construir uma imagem de credibilidade em meio ao caos informativo criado por grupos políticos extremistas no fluxo de notícias na internet. Se a imprensa estivesse eticamente comprometida com a veracidade das informações publicadas até a chegada da internet, ela já teria feito um mea culpa de todas as notícias distorcidas, enviesadas e meias verdades veiculadas no passado como parte do jogo corporativo de interesses políticos e empresariais. A ofensiva político-publicitária contra as redes sociais ganha características de uma manobra dos grandes conglomerados midiáticos interessadas em usar a bandeira do combate às fake news como arma contra a acelerada expansão financeira de impérios tecnológicos como Facebook e Google. É uma guerra de “cachorro grande” e quem se meter nela precisa ter muito claro que se o compromisso com a confiabilidade das notícias for levado até as últimas consequências pode acabar tendo que enfrentar tanto as redes como grupos empresariais como Globo, Folha e Estadão. As redes sociais virtuais estão muito longe de serem modelos de conduta em matéria de compromisso com a veracidade. Muito pelo contrário. O fato de reunirem audiências infinitamente maiores que as da imprensa convencional, de se aproveitarem da onipresença dos telefones celulares e permitirem a instantaneidade na transmissão simultânea de milhares de mensagens, fez com que Facebook, Youtube, Twitter, Instagram e Whatsapp se tornassem as plataformas preferenciais dos terroristas e extremistas online. Casos como o da Lava Jato, bem como as campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro e Donald Trump, acabaram se tornando paradigmas do uso de notícias falsas com fins político-eleitorais. Discurso sofisticado O esforço para combater as fake news é urgente e necessário mas ele precisa levar em conta o contexto social-econômico-político em que estamos inseridos, as especificidades tecnológicas dos fluxos virtuais de notícias e os recursos de que dispomos para alcançar o objetivo. A primeira constatação contextual é a inviabilidade de combater problemas digitais com ferramentas analógicas. Não vai funcionar ou servirá apenas para enganar a opinião pública. No espaço físico dos jornais, rádio e TVs há responsáveis, endereços e condutas localizados e identificáveis. No chamado ciberespaço, tudo isto é muito difuso, mutável e complexo. Levamos décadas para produzir leis, códigos, regulamentos e normas tentando disciplinar a atividade noticiosa da imprensa, sem eliminar completamente a incidência de notícias falsas ou distorcidas na imprensa convencional. As empresas construíram um sofisticado discurso para adequar o jornalismo ao ambiente comercial na produção e veiculação de informações. Mais do que isto, as mídias formataram audiências que, sem juízo crítico, incorporaram vários itens deste discurso aos seus valores individuais no trato com a informação. De repente, tudo isto muda com a avalanche informativa gerada pela internet e por inovações tecnológicas como telefones celulares, computadores, bancos de dados e, mais recentemente, com a robotização e inteligência artificial. Criou-se um espaço sem regras e sem valores consolidados. O lento e complexo sistema de produção de leis e regulamentos não consegue acompanhar o ritmo frenético das inovações tecnológicas. Muitas leis se tornaram obsoletas e ineficazes antes mesmo de serem aprovadas. E mais do que tudo, começa a ficar claro que a criação de normas vai depender mais das pessoas do que dos tribunais, parlamentos ou governos. Isto fica claro quando se analisa o trabalho das centenas de projetos de checagem de informações, um louvável esforço para tentar limitar a proliferação das fake news por meio da sua desconstrução. É humanamente impossível checar todas os dados e fatos publicados numa edição normal de jornais impressos. É viável detectar as mentiras mais grosseiras, mas o enviesamento, descontextualização e as meias verdades exigem muito mais tempo e conhecimento para serem identificadas. Além disso, a experiência tem mostrado que o espaço editorial dedicado à publicação do resultado de checagens é muito inferior ao dedicado à publicação de notícias gerais. O resultado é que a checagem de fatos e dados, também conhecida pelo jargão inglês fact checking, acaba servindo mais para marketing do jornal ou revista do que para tranquilizar ou orientar o leitor. Assim, o ingresso do governo no combate às fake news precisa levar em conta todo este arsenal de dificuldades capazes de criar decepções, contrariedades e acusações numa questão que, no final das contas, tem mais chances de ser resolvida pelas pessoas e comunidades do que por decretos e leis. Em vez de buscar a normatização do problema, o governo talvez tenha mais possibilidades de êxito se apostar em campanhas públicas de formação de consciências e de incentivo ao surgimento de novos valores e comportamentos no trato da notícia. Lidar com a informação e a notícia não é algo que você prática baseado em manuais ou regras. Cada informação ou notícia está relacionada]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p id="a589" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">A decisão do governo federal de ingressar no combate à proliferação de notícias falsas (fake news) na imprensa e nas redes sociais esconde armadilhas políticas que podem causar sérios embaraços ao presidente Lula, porque é um tema complexo sobre o qual é difícil estabelecer um controle absoluto.</p>
<p class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">Na verdade, o combate às <em>fake news</em> está mais na <em>esfera</em> da comunicação social e menos no âmbito do poder executivo, já que é muito arriscado criar regras rígidas para neutralizar um problema que ganhou grandes dimensões justamente porque se aproveitou da escassa experiência de nossa sociedade com o manejo da informação digitalizada.</p>
<p id="39ee" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">O fenômeno das notícias falsas, incompletas, distorcidas ou descontextualizadas já é bastante antigo. Convivemos com ele há mais de um século, período em que se manifestava através de jornais, revistas, noticiários radiofônicos e telejornais. As <em class="je">fake news</em> passavam, no entanto, quase desapercebidas porque a comunicação jornalística pré-internet era controlada por um reduzido grupo de grandes empresas, na maioria privadas.</p>
<p id="1f2c" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">Com a chegada das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), no final do século XX, surgiram as redes sociais virtuais que passaram a concorrer com a imprensa convencional na produção de fluxos informativos oferecidos à população. A concorrência se transformou em batalha pela sobrevivência com a migração de anunciantes para o espaço virtual, especialmente depois que a telefonia celular facilitou o acesso às grandes redes virtuais como <em class="je">Facebook</em> e <em class="je">Google</em>.</p>
<p data-selectable-paragraph="">
<p><figure id="attachment_13737" aria-describedby="caption-attachment-13737" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-13737 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/03/1_jBElwDhVG_W3GEfMWlBIlg.webp" alt="As políticas de combate a fake news são uma armadilha ao governo Lula" width="600" height="479" /><figcaption id="caption-attachment-13737" class="wp-caption-text">&#8220;A decisão do governo federal de ingressar no combate à proliferação de notícias falsas (fake news) na imprensa e nas redes sociais esconde armadilhas políticas que podem causar sérios embaraços ao presidente Lula&#8221; (Ilustração de mikemacmarketing / CC)</figcaption></figure></p>
<p data-selectable-paragraph="">
<p id="2ec2" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">É neste contexto que surge a polêmica sobre o combate às fake news, basicamente um argumento manobrado pela imprensa convencional para tentar construir uma imagem de credibilidade em meio ao caos informativo criado por grupos políticos extremistas no fluxo de notícias na internet. Se a imprensa estivesse eticamente comprometida com a veracidade das informações publicadas até a chegada da internet, ela já teria feito um <em class="je">mea culpa</em> de todas as notícias distorcidas, enviesadas e meias verdades veiculadas no passado como parte do jogo corporativo de interesses políticos e empresariais.</p>
<p id="ef2f" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">A ofensiva político-publicitária contra as redes sociais ganha características de uma manobra dos grandes conglomerados midiáticos interessadas em usar a bandeira do combate às <em class="je">fake news</em> como arma contra a acelerada expansão financeira de impérios tecnológicos como <em class="je">Facebook </em>e<em class="je"> Google</em>. É uma guerra de “cachorro grande” e quem se meter nela precisa ter muito claro que se o compromisso com a confiabilidade das notícias for levado até as últimas consequências pode acabar tendo que enfrentar tanto as redes como grupos empresariais como Globo<em class="je">, Folha </em>e<em class="je"> Estadão</em>.</p>
<p id="1d3f" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">As redes sociais virtuais estão muito longe de serem modelos de conduta em matéria de compromisso com a veracidade. Muito pelo contrário. O fato de reunirem audiências infinitamente maiores que as da imprensa convencional, de se aproveitarem da onipresença dos telefones celulares e permitirem a instantaneidade na transmissão simultânea de milhares de mensagens, fez com <em class="je">que Facebook, Youtube, Twitter, Instagram</em> e <em class="je">Whatsapp</em> se tornassem as plataformas preferenciais dos terroristas e extremistas online. Casos como o da Lava Jato, bem como as campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro e Donald Trump, acabaram se tornando paradigmas do uso de notícias falsas com fins político-eleitorais.</p>
<p id="34dd" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph=""><strong class="hw gy">Discurso sofisticado</strong></p>
<p id="9733" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">O esforço para combater as <em class="je">fake news</em> é urgente e necessário mas ele precisa levar em conta o contexto social-econômico-político em que estamos inseridos, as especificidades tecnológicas dos fluxos virtuais de notícias e os recursos de que dispomos para alcançar o objetivo. A primeira constatação contextual é a inviabilidade de combater problemas digitais com ferramentas analógicas. Não vai funcionar ou servirá apenas para enganar a opinião pública. No espaço físico dos jornais, rádio e TVs há responsáveis, endereços e condutas localizados e identificáveis. No chamado ciberespaço, tudo isto é muito difuso, mutável e complexo.</p>
<p id="24f0" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">Levamos décadas para produzir leis, códigos, regulamentos e normas tentando disciplinar a atividade noticiosa da imprensa, sem eliminar completamente a incidência de notícias falsas ou distorcidas na imprensa convencional. As empresas construíram um sofisticado discurso para adequar o jornalismo ao ambiente comercial na produção e veiculação de informações. Mais do que isto, as mídias formataram audiências que, sem juízo crítico, incorporaram vários itens deste discurso aos seus valores individuais no trato com a informação.</p>
<p id="33a2" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">De repente, tudo isto muda com a avalanche informativa gerada pela internet e por inovações tecnológicas como telefones celulares, computadores, bancos de dados e, mais recentemente, com a robotização e inteligência artificial. Criou-se um espaço sem regras e sem valores consolidados. O lento e complexo sistema de produção de leis e regulamentos não consegue acompanhar o ritmo frenético das inovações tecnológicas. Muitas leis se tornaram obsoletas e ineficazes antes mesmo de serem aprovadas. E mais do que tudo, começa a ficar claro que a criação de normas vai depender mais das pessoas do que dos tribunais, parlamentos ou governos.</p>
<p id="f1d5" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">Isto fica claro quando se analisa o trabalho das centenas de projetos de checagem de informações, um louvável esforço para tentar limitar a proliferação das <em>fake news</em> por meio da sua desconstrução. É humanamente impossível checar todas os dados e fatos publicados numa edição normal de jornais impressos. É viável detectar as mentiras mais grosseiras, mas o enviesamento, descontextualização e as meias verdades exigem muito mais tempo e conhecimento para serem identificadas. Além disso, a experiência tem mostrado que o espaço editorial dedicado à publicação do resultado de checagens é muito inferior ao dedicado à publicação de notícias gerais. O resultado é que a checagem de fatos e dados, também conhecida pelo jargão inglês <em class="je">fact checking</em>, acaba servindo mais para marketing do jornal ou revista do que para tranquilizar ou orientar o leitor.</p>
<p id="316a" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">Assim, o ingresso do governo no combate às <em>fake news</em> precisa levar em conta todo este arsenal de dificuldades capazes de criar decepções, contrariedades e acusações numa questão que, no final das contas, tem mais chances de ser resolvida pelas pessoas e comunidades do que por decretos e leis. Em vez de buscar a normatização do problema, o governo talvez tenha mais possibilidades de êxito se apostar em campanhas públicas de formação de consciências e de incentivo ao surgimento de novos valores e comportamentos no trato da notícia.</p>
<p id="c0d0" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">Lidar com a informação e a notícia não é algo que você prática baseado em manuais ou regras. Cada informação ou notícia está relacionada a um contexto específico, a uma realidade particular e por uma visão de mundo individual. Os casos mais grosseiros podem sim ser enquadrados em leis mas no dia a dia das pessoas, o combate às notícias falsas, distorcidas ou incompletas é uma questão de atitude, de valores incorporados à visão de mundo de cada indivíduo. São condutas, idealmente, quase automatizadas, como por exemplo a consciência de que uma queimadura por fogo é algo doloroso. Nossa reação é automática, ninguém precisa nos ensinar a não botar a mão no fogo.</p>
<p id="0fb3" class="pw-post-body-paragraph hu hv gx hw b hx hy hz ia ib ic id ie if ig ih ii ij ik il im in io ip iq ir gq bi" data-selectable-paragraph="">Não há receitas prontas para o combate às <em>fake news</em> e é justamente por isto que a ação do governo é insubstituível neste campo. Mas ele não pode cair na armadilha de pretender apresentar soluções definitivas e universais para atender aqueles que cobram resultados imediatos. Tentar puxar para si a responsabilidade de achar soluções rápidas e definitivas para um problema tão complexo, como as <em class="je">fake news</em>, é um risco enorme para o governo.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="zeEkbwa2eb"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-ecossistema-informativo-nacional-no-governo-lula/" target="_blank" rel="noopener">O ecossistema informativo nacional no governo Lula</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O ecossistema informativo nacional no governo Lula&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-ecossistema-informativo-nacional-no-governo-lula/embed/#?secret=Nr7VdBQCe8#?secret=zeEkbwa2eb" data-secret="zeEkbwa2eb" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="LHvPomvDMl"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-tv-pode-ter-sido-decisiva-no-fracasso-do-golpe-bolsonarista-dia-8/" target="_blank" rel="noopener">A TV pode ter sido decisiva no fracasso do golpe bolsonarista dia 8</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A TV pode ter sido decisiva no fracasso do golpe bolsonarista dia 8&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-tv-pode-ter-sido-decisiva-no-fracasso-do-golpe-bolsonarista-dia-8/embed/#?secret=s2CQxoBrCa#?secret=LHvPomvDMl" data-secret="LHvPomvDMl" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>A América Latina e os Estados Unidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaine Tavares]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Mar 2023 12:29:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[#americalatina]]></category>
		<category><![CDATA[#democracia]]></category>
		<category><![CDATA[#ditaduranuncamais]]></category>
		<category><![CDATA[#EsquerdaBrasil]]></category>
		<category><![CDATA[américa latina política]]></category>
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		<category><![CDATA[crise política]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>
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					<description><![CDATA[Estou fazendo o curso da Camila Vidal, no Iela  (Instituto de Estudo Latino-Americanos da UFSC)  sobre as Intervenções dos Estados Unidos na América Latina. E, confesso, ao final de cada aula, saio completamente deprimida. Não pela aula, que é sempre ótima, mas pelas informações. A proposta do curso, que começou no ano passado, é desvelar, com riqueza de detalhes, cada intervenção dos Estados Unidos nos países da Pátria Grande, desde o roubo das terras mexicanas, primeiro conflito gerado pelo famoso Destino Manifesto, até nossos dias. O que causa a profunda tristeza é observar que nesses conflitos de invasão explícita ou de geração de golpes a conversinha é sempre a mesma: levar a democracia e o desenvolvimento aos países bárbaros. É um eterno retorno. Basta que o país se desloque, mesmo que bem pouquinho, da órbita dos Estados Unidos para que comece a sofrer as consequências. As formas de ataque também são sempre as mesmas, embargos, bloqueios econômicos, campanha midiática sobre um suposto perigo de comunismo, financiamento de grupos de “oposição” (armados ou não) e invasão direta. No geral, a situação que gera o ataque dos EUA também é sempre a mesma. Um governo mais à esquerda ou um governo algo progressista que comece a mudar a lógica garantindo educação, saúde, moradia e seguranças ao povo passa a ser visto como perigoso. E, se não se aliar aos EUA nos seus interesses, já vira inimigo. Mas, se for além, buscando garantir soberania nas ações e na exploração de suas riquezas, aí vira o próprio demônio. É hora de o império agir. O começo de tudo vem pela campanha de propaganda contra o país. A mídia mundial embarca na canoa, divulgando as notícias produzidas pelas agências dos EUA, como se ali estivesse a verdade. Principia então o desenho do “monstro”. E não importa que esse monstro tenha sido amigo e formado pelos Estados Unidos, como foi o caso de Noriega, no Panamá, ou Sadam, no Iraque. Saiu um pouco da rota, está na fogueira. No geral, o problema principal detectado é uma “tendência ao comunismo”. Começou a oferecer educação, serviços públicos de qualidade, usar os recursos nacionais para desenvolver o país, pronto, virou comunista. E o comunismo aí colocado como algo ruim. Sendo que não é! Na verdade, o comunismo é quase uma sociedade perfeita, onde cada um ganha conforme o que necessita e atua na sociedade para o bem de todos. Pois isso é um perigo para os que dominam, então há que demonizar. E assim vamos indo, estudando a história de cada um dos nossos países da América Latina: O México, na parte norte, a América Central com todo o drama da violência, genocídios e da migração presente em cada país, o Caribe e sua pobreza endêmica apesar da exuberante riqueza natural que o faz paraíso dos ricos, e a nossa América do Sul, com sua história de traições, golpes militares, golpes parlamentares e golpes midiáticos. Não escapa um. Cada país abaixo do rio Bravo já sofreu a intervenção do império, seja diretamente ou fomentando traições internas. É batata. Nenhum bem pode vir para a maioria da população. Há que manter a massa no arrocho e garantir a maior taxa de lucro para o 1% que domina. Saiu disso, tá morto. Nesse universo infernal produzido pelos Estados Unidos o único país que se mantém firme é Cuba, a pequena ilha caribenha que enfrenta há mais de 60 anos o ataque ininterrupto do império. É absolutamente fantástico que consigam manter a revolução e as conquistas que vieram depois dela, apesar de tanto ataque. O povo cubano é deveras extraordinário, afinal é submetido a um bombardeio midiático diário e sofre um embargo econômico criminoso. Apesar disso o povo da ilha se reinventa e resiste, valentemente. Mas, no que diz respeito aos demais países o eterno retorno é lei. Passam anos de ditadura, de governos autoritários ou neoliberais e quando a população finalmente se propõe a mudar e elege alguém menos alinhado aos interesses estadunidenses, lá vem a máquina imperialista, a Estrela da Morte, com todo o seu arsenal ideológico e militar. Só na história contemporânea podemos citar a Venezuela e o golpe armado em 2002 contra Chávez, a deposição de Bertrand Aristide no Haiti em 2004, criando esse caos que não tem fim no país, o golpe em Honduras em 2009 que deixou um rastro de sangue, a queda do presidente Lugo no Paraguai para o retorno da velha oligarquia, a queda da Dilma em 2016 no Brasil que levou à tragédia Bolsonaro, o golpe contra Evo Morales em 2019, a queda de Pedro Castillo em 2022, as tramas na América Central para impedir que ideias mais arejadas pudessem assomar, com o sistemático assassinato de lideranças de lutas populares e ambientais, e por aí vai. É claro que numa análise mais acurada a gente vai perceber que internamente nos países há erros e equívocos praticados pelos governantes, o que torna a ação imperial ainda mais fácil de ser efetivada. Mas, o que não se pode deixar de perceber é que os EUA estão sempre ali, como uma águia assassina a esperar a hora de comer os olhos dos governantes – e da população – que ousarem sair da linha. Volto a lembrar de Cuba, cujo presidente, Fidel, chegou a sofrer mais de 600 tentativas de assassinato. Sobreviveu a todas e para azar do império, morreu velhinho, no aconchego do lar, do jeito que quis, amado pelo povo. De novo, um exemplo solitário nesse mar de podridão criado pelos Estados Unidos em toda a nossa Pátria Grande. O fato é que no capitalismo, cuja locomotiva ainda é os EUA (China e Rússia disputam o cargo), resistir a esse modelo que garante riqueza e vida boa a apenas 1% da população é uma tarefa gigantesca. As populações lutam com o que podem, que são apenas os seus corpos nus. Como enfrentar a máquina gigantesca da guerra? Lembro-me da invasão ao Panamá em 1989, quando uma força de milhares de soldados estadunidenses bombardeou a]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estou fazendo o curso da Camila Vidal, no <a href="https://iela.ufsc.br/" target="_blank" rel="noopener">Iela </a> (Instituto de Estudo Latino-Americanos da UFSC)  sobre as Intervenções dos Estados Unidos na América Latina. E, confesso, ao final de cada aula, saio completamente deprimida. Não pela aula, que é sempre ótima, mas pelas informações. A proposta do curso, que começou no ano passado, é desvelar, com riqueza de detalhes, cada intervenção dos Estados Unidos nos países da Pátria Grande, desde o roubo das terras mexicanas, primeiro conflito gerado pelo famoso Destino Manifesto, até nossos dias.</p>
<p>O que causa a profunda tristeza é observar que nesses conflitos de invasão explícita ou de geração de golpes a conversinha é sempre a mesma: levar a democracia e o desenvolvimento aos países bárbaros. É um eterno retorno. Basta que o país se desloque, mesmo que bem pouquinho, da órbita dos Estados Unidos para que comece a sofrer as consequências. As formas de ataque também são sempre as mesmas, embargos, bloqueios econômicos, campanha midiática sobre um suposto perigo de comunismo, financiamento de grupos de “oposição” (armados ou não) e invasão direta.</p>
<p>No geral, a situação que gera o ataque dos EUA também é sempre a mesma. Um governo mais à esquerda ou um governo algo progressista que comece a mudar a lógica garantindo educação, saúde, moradia e seguranças ao povo passa a ser visto como perigoso. E, se não se aliar aos EUA nos seus interesses, já vira inimigo. Mas, se for além, buscando garantir soberania nas ações e na exploração de suas riquezas, aí vira o próprio demônio. É hora de o império agir.</p>
<p>O começo de tudo vem pela campanha de propaganda contra o país. A mídia mundial embarca na canoa, divulgando as notícias produzidas pelas agências dos EUA, como se ali estivesse a verdade. Principia então o desenho do “monstro”. E não importa que esse monstro tenha sido amigo e formado pelos Estados Unidos, como foi o caso de Noriega, no Panamá, ou Sadam, no Iraque. Saiu um pouco da rota, está na fogueira. No geral, o problema principal detectado é uma “tendência ao comunismo”. Começou a oferecer educação, serviços públicos de qualidade, usar os recursos nacionais para desenvolver o país, pronto, virou comunista. E o comunismo aí colocado como algo ruim. Sendo que não é! Na verdade, o comunismo é quase uma sociedade perfeita, onde cada um ganha conforme o que necessita e atua na sociedade para o bem de todos. Pois isso é um perigo para os que dominam, então há que demonizar.</p>
<p>E assim vamos indo, estudando a história de cada um dos nossos países da América Latina: O México, na parte norte, a América Central com todo o drama da violência, genocídios e da migração presente em cada país, o Caribe e sua pobreza endêmica apesar da exuberante riqueza natural que o faz paraíso dos ricos, e a nossa América do Sul, com sua história de traições, golpes militares, golpes parlamentares e golpes midiáticos. Não escapa um. Cada país abaixo do rio Bravo já sofreu a intervenção do império, seja diretamente ou fomentando traições internas. É batata. Nenhum bem pode vir para a maioria da população. Há que manter a massa no arrocho e garantir a maior taxa de lucro para o 1% que domina. Saiu disso, tá morto.</p>
<p>Nesse universo infernal produzido pelos Estados Unidos o único país que se mantém firme é Cuba, a pequena ilha caribenha que enfrenta há mais de 60 anos o ataque ininterrupto do império. É absolutamente fantástico que consigam manter a revolução e as conquistas que vieram depois dela, apesar de tanto ataque. O povo cubano é deveras extraordinário, afinal é submetido a um bombardeio midiático diário e sofre um embargo econômico criminoso. Apesar disso o povo da ilha se reinventa e resiste, valentemente.</p>
<p>Mas, no que diz respeito aos demais países o eterno retorno é lei. Passam anos de ditadura, de governos autoritários ou neoliberais e quando a população finalmente se propõe a mudar e elege alguém menos alinhado aos interesses estadunidenses, lá vem a máquina imperialista, a Estrela da Morte, com todo o seu arsenal ideológico e militar.</p>
<p>Só na história contemporânea podemos citar a Venezuela e o golpe armado em 2002 contra Chávez, a deposição de Bertrand Aristide no Haiti em 2004, criando esse caos que não tem fim no país, o golpe em Honduras em 2009 que deixou um rastro de sangue, a queda do presidente Lugo no Paraguai para o retorno da velha oligarquia, a queda da Dilma em 2016 no Brasil que levou à tragédia Bolsonaro, o golpe contra Evo Morales em 2019, a queda de Pedro Castillo em 2022, as tramas na América Central para impedir que ideias mais arejadas pudessem assomar, com o sistemático assassinato de lideranças de lutas populares e ambientais, e por aí vai.</p>
<p>É claro que numa análise mais acurada a gente vai perceber que internamente nos países há erros e equívocos praticados pelos governantes, o que torna a ação imperial ainda mais fácil de ser efetivada. Mas, o que não se pode deixar de perceber é que os EUA estão sempre ali, como uma águia assassina a esperar a hora de comer os olhos dos governantes – e da população – que ousarem sair da linha. Volto a lembrar de Cuba, cujo presidente, Fidel, chegou a sofrer mais de 600 tentativas de assassinato. Sobreviveu a todas e para azar do império, morreu velhinho, no aconchego do lar, do jeito que quis, amado pelo povo. De novo, um exemplo solitário nesse mar de podridão criado pelos Estados Unidos em toda a nossa Pátria Grande.</p>
<p><figure id="attachment_13721" aria-describedby="caption-attachment-13721" style="width: 756px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-13721" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/03/images-13.jpeg" alt="América Latina e os Estados - Invasão do Panamá em 89" width="756" height="405" /><figcaption id="caption-attachment-13721" class="wp-caption-text">Destroços pós invasão dos Estados Unidos no Panamá em 1989 (Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p>O fato é que no capitalismo, cuja locomotiva ainda é os EUA (China e Rússia disputam o cargo), resistir a esse modelo que garante riqueza e vida boa a apenas 1% da população é uma tarefa gigantesca. As populações lutam com o que podem, que são apenas os seus corpos nus. Como enfrentar a máquina gigantesca da guerra? Lembro-me da invasão ao Panamá em 1989, quando uma força de milhares de soldados estadunidenses bombardeou a capital de maneira feroz e rápida, impedindo qualquer reação, deixando centenas de mortos e arrasando bairros inteiros. Tudo isso para levar “democracia”.</p>
<p>É por isso que as aulas da Camila entristecem e deprimem. Porque é sempre a mesma coisa, os mesmos discursos, as mesmas justificativas, o mesmo diapasão. O eterno retorno.</p>
<p>Ainda assim, observando o rosto dos estudantes e sua estupefação ao conhecer a verdade sobre os fatos, a gente se anima. O conhecimento transforma. O conhecimento move, faz reagir. Por isso é tão necessário que se saiba como atua o império para que se possa aprender com isso, e encontrar, como os cubanos, o caminho da vitória. Como se vê, eles – os assassinos estadunidenses – não são invencíveis: perderam no Vietnã, em Cuba, no Iraque, no Afeganistão… Tal como no famoso filme de aventura, a Estrela da Morte tem seu ponto fraco. Há que encontrar a forma de chegar lá. E os povos estão em luta. É assim no Haiti, no Peru, no Paraguai, no Brasil, na Guatemala, em El Salvador, enfim, em cada pequeno cantinho desta nossa América. Haveremos de quebrar esse eterno retorno tal como sonhou Bolívar e recentemente Chávez.</p>
<p>Por enquanto, vamos conhecendo, estudando e lutando.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="diSuII0Olr"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-eleicao-nos-eua-e-a-america-latina/" target="_blank" rel="noopener">A eleição nos EUA e a América Latina</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A eleição nos EUA e a América Latina&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-eleicao-nos-eua-e-a-america-latina/embed/#?secret=c8uZ1DfEDo#?secret=diSuII0Olr" data-secret="diSuII0Olr" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="8Cwz7LPaju"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/dez-anos-sem-chavez/" target="_blank" rel="noopener">Dez anos sem Chávez</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Dez anos sem Chávez&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/dez-anos-sem-chavez/embed/#?secret=4HiFhmDGcZ#?secret=8Cwz7LPaju" data-secret="8Cwz7LPaju" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>A democracia em risco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frei Betto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Mar 2023 17:25:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ditadura nunca mais]]></category>
		<category><![CDATA[#democracia]]></category>
		<category><![CDATA[#ditaduranuncamais]]></category>
		<category><![CDATA[#EsquerdaBrasil]]></category>
		<category><![CDATA[#nãovaitergolpe]]></category>
		<category><![CDATA[ameaça à democracia]]></category>
		<category><![CDATA[crise política]]></category>
		<category><![CDATA[democracia atual]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de 64]]></category>
		<category><![CDATA[João Goulart]]></category>
		<category><![CDATA[manifestações]]></category>
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					<description><![CDATA[Democracia &#8211; Não nos iludamos de novo: nossa frágil democracia continua em risco. Recordo do governo João Goulart e suas propostas de reformas de base, ao início da década de 1960. As Ligas Camponeses levantavam os nordestinos. Os sindicatos defendiam com ardor os direitos adquiridos no período Vargas. A UNE era temida por seu poder de mobilização da juventude. Era óbvia a inquietação da elite brasileira. Passou a conspirar articulada no IBAD, no IPES e outras organizações, até eclodir nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Contudo, o Partido Comunista Brasileiro tranquilizava os que sentiam cheiro de quartelada – acreditava-se que Jango se apoiava num esquema militar nacionalista. E, no entanto, em março de 1964 veio o golpe militar. Jango foi derrubado, a Constituição, rasgada; as instituições democráticas, silenciadas; e Castelo Branco empossado sem que os golpistas disparassem um único tiro. Onde andavam “as massas” comprometidas com a defesa da democracia? Conheço bem o estamento militar. Sou de família castrense pelo lado paterno. Bisavô almirante, avô coronel, dois tios generais e pai juiz do tribunal militar (felizmente se aposentou à raiz do golpe). Essa gente vive em um mundo à parte. Sai de casa, mas não da caserna. Frequenta os mesmos clubes (militares), os mesmos restaurantes, as mesmas igrejas. Muitos se julgam superiores aos civis, embora nada produzam. Têm por paradigma as Forças Armadas nos EUA e, por ideologia, um ferrenho anticomunismo. Por isso, não respeitam o limite da Constituição, que lhes atribui a responsabilidade de defender a pátria de inimigos externos. Preocupam-se mais com os “inimigos internos”, os comunistas. Embora a União Soviética tenha se desintegrado; o Muro de Berlim, desabado; a China, capitalizada; tudo que soa como pensamento crítico é suspeito de comunismo. Isso porque nas fileiras militares reina a mais despótica disciplina, não se admite senso crítico, e a autoridade encarna a verdade. O Brasil cometeu o erro de não apurar os crimes da ditadura militar e punir com rigor os culpados de torturas, sequestros, desaparecimentos, assassinatos e atentados terroristas, ao contrário do que fizeram nossos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile. Assistam ao filme “Argentina,1985”, estrelado por Ricardo Darín e dirigido por Santiago Mitre. Ali está o que deveríamos ter feito. O resultado dessa grave omissão, carimbada de “anistia recíproca”, é essa impunidade e imunidade que desaguou no deletério governo Bolsonaro. Não concordo com a opinião de que só nos últimos anos a direita brasileira “saiu do armário”. Sem regredir ao período colonial, com mais de três séculos de escravatura e a dizimação de indígenas e da população paraguaia numa guerra injusta, há que recordar a ditadura de Vargas, o Estado Novo, o Integralismo, a TFP e o golpe de 1964. O altissonante silêncio dos militares perante os atos terroristas perpetrados por golpistas a 8 de janeiro deve nos fazer refletir. Cumplicidade não se consuma apenas pela ação; também por omissão. Mas não faltaram ações, como os acampamentos acobertados pelos comandos militares em torno dos quartéis e a atitude do coronel da guarda presidencial que abriu as portas do Planalto aos vândalos e ainda recriminou os policiais militares que pretendiam contê-los. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, reza o aforismo que escuto desde a infância. Nós, defensores da democracia, não podemos baixar a guarda. O bolsonarismo disseminou uma cultura necrófila inflada de ódio que não dará trégua à democracia e ao governo Lula. Nossa reação não deve ser responder com as mesmas moedas ou resguardar-nos no medo. Cabe-nos a tarefa de fortalecer a democracia, em especial os movimentos populares e sindicais, as pautas identitárias, a defesa da Constituição e das instituições, impedindo que as viúvas da ditadura tentem ressuscitá-la. O passado ainda não passou. A memória jamais haverá de sepultá-lo. Só quem pode fazê-lo é a Justiça. Ditadura Nunca Mais com Urariano Mota Breve crítica da democracia louvada Sobre a democracia e o voto Não há meia democracia Frei Betto: &#8220;É uma ilusão e um engano achar que a ditadura foi melhor&#8221;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Democracia &#8211; Não nos iludamos de novo: nossa frágil democracia continua em risco. Recordo do governo João Goulart e suas propostas de reformas de base, ao início da década de 1960. As Ligas Camponeses levantavam os nordestinos. Os sindicatos defendiam com ardor os direitos adquiridos no período Vargas. A UNE era temida por seu poder de mobilização da juventude.</p>
<p>Era óbvia a inquietação da elite brasileira. Passou a conspirar articulada no IBAD, no IPES e outras organizações, até eclodir nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Contudo, o Partido Comunista Brasileiro tranquilizava os que sentiam cheiro de quartelada – acreditava-se que Jango se apoiava num esquema militar nacionalista. E, no entanto, em março de 1964 veio o golpe militar. Jango foi derrubado, a Constituição, rasgada; as instituições democráticas, silenciadas; e Castelo Branco empossado sem que os golpistas disparassem um único tiro. Onde andavam “as massas” comprometidas com a defesa da democracia?</p>
<p>Conheço bem o estamento militar. Sou de família castrense pelo lado paterno. Bisavô almirante, avô coronel, dois tios generais e pai juiz do tribunal militar (felizmente se aposentou à raiz do golpe).</p>
<p>Essa gente vive em um mundo à parte. Sai de casa, mas não da caserna. Frequenta os mesmos clubes (militares), os mesmos restaurantes, as mesmas igrejas. Muitos se julgam superiores aos civis, embora nada produzam. Têm por paradigma as Forças Armadas nos EUA e, por ideologia, um ferrenho anticomunismo. Por isso, não respeitam o limite da Constituição, que lhes atribui a responsabilidade de defender a pátria de inimigos externos. Preocupam-se mais com os “inimigos internos”, os comunistas.</p>
<p>Embora a União Soviética tenha se desintegrado; o Muro de Berlim, desabado; a China, capitalizada; tudo que soa como pensamento crítico é suspeito de comunismo. Isso porque nas fileiras militares reina a mais despótica disciplina, não se admite senso crítico, e a autoridade encarna a verdade.</p>
<p>O Brasil cometeu o erro de não apurar os crimes da ditadura militar e punir com rigor os culpados de torturas, sequestros, desaparecimentos, assassinatos e atentados terroristas, ao contrário do que fizeram nossos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile. Assistam ao filme “Argentina,1985”, estrelado por Ricardo Darín e dirigido por Santiago Mitre. Ali está o que deveríamos ter feito. O resultado dessa grave omissão, carimbada de “anistia recíproca”, é essa impunidade e imunidade que desaguou no deletério governo Bolsonaro.</p>
<p><figure id="attachment_13702" aria-describedby="caption-attachment-13702" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-13702 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/02/87b60ad5a99af0785d3b49eb54c9820b-e1500903306444.jpg" alt="Democracia em risco protesto" width="1200" height="803" /><figcaption id="caption-attachment-13702" class="wp-caption-text">&#8220;Nossa frágil democracia continua em risco&#8221; (Reprodução: Fernando Frazão / Agência Brasil)</figcaption></figure></p>
<p>Não concordo com a opinião de que só nos últimos anos a direita brasileira “saiu do armário”. Sem regredir ao período colonial, com mais de três séculos de escravatura e a dizimação de indígenas e da população paraguaia numa guerra injusta, há que recordar a ditadura de Vargas, o Estado Novo, o Integralismo, a TFP e o golpe de 1964.</p>
<p>O altissonante silêncio dos militares perante os atos terroristas perpetrados por golpistas a 8 de janeiro deve nos fazer refletir. Cumplicidade não se consuma apenas pela ação; também por omissão. Mas não faltaram ações, como os acampamentos acobertados pelos comandos militares em torno dos quartéis e a atitude do coronel da guarda presidencial que abriu as portas do Planalto aos vândalos e ainda recriminou os policiais militares que pretendiam contê-los.</p>
<p>“O preço da liberdade é a eterna vigilância”, reza o aforismo que escuto desde a infância. Nós, defensores da democracia, não podemos baixar a guarda. O bolsonarismo disseminou uma cultura necrófila inflada de ódio que não dará trégua à democracia e ao governo Lula.</p>
<p>Nossa reação não deve ser responder com as mesmas moedas ou resguardar-nos no medo. Cabe-nos a tarefa de fortalecer a democracia, em especial os movimentos populares e sindicais, as pautas identitárias, a defesa da Constituição e das instituições, impedindo que as viúvas da ditadura tentem ressuscitá-la.</p>
<h3>O passado ainda não passou. A memória jamais haverá de sepultá-lo. Só quem pode fazê-lo é a Justiça.</h3>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="sP3a7wcg6t"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ditadura-nunca-mais-com-urariano-mota/" target="_blank" rel="noopener">Ditadura Nunca Mais com Urariano Mota</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Ditadura Nunca Mais com Urariano Mota&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/ditadura-nunca-mais-com-urariano-mota/embed/#?secret=DydHQ0U9Zq#?secret=sP3a7wcg6t" data-secret="sP3a7wcg6t" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="4S05pQuORf"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/breve-critica-da-democracia-louvada/" target="_blank" rel="noopener">Breve crítica da democracia louvada</a></p></blockquote>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="2y14UVXHDs"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/sobre-a-democracia-e-o-voto/" target="_blank" rel="noopener">Sobre a democracia e o voto</a></p></blockquote>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="985y6lRwLV"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/nao-ha-meia-democracia/" target="_blank" rel="noopener">Não há meia democracia</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Não há meia democracia&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/nao-ha-meia-democracia/embed/#?secret=bsMB0Ybh1i#?secret=985y6lRwLV" data-secret="985y6lRwLV" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Hzt8f9CCZt"><p><a href="https://saibamais.jor.br/2019/07/frei-betto-e-uma-ilusao-e-um-engano-achar-que-a-ditadura-foi-melhor/" target="_blank" rel="noopener">Frei Betto: &#8220;É uma ilusão e um engano achar que a ditadura foi melhor&#8221;</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Frei Betto: &#8220;É uma ilusão e um engano achar que a ditadura foi melhor&#8221;&#8221; &#8212; Saiba Mais" src="https://saibamais.jor.br/2019/07/frei-betto-e-uma-ilusao-e-um-engano-achar-que-a-ditadura-foi-melhor/embed/#?secret=musGT6iswz#?secret=Hzt8f9CCZt" data-secret="Hzt8f9CCZt" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>Dez anos sem Chávez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaine Tavares]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 14:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
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					<description><![CDATA[Hugo Chávez &#8211; Foi em 1815 que Simón Bolívar escreveu sua famosa Carta da Jamaica, na qual estava plasmado o seu sonho de uma Pátria Grande, com a união de todos os espaços que estavam sob o jugo da Espanha. Um sonho que ele tratou de concretizar com sua saga libertadora voltando para a Venezuela e recomeçando o processo de independência. E foi na ponta da espada que ele e os demais que o seguiam foram liberando país por país. Depois, em 1826, Simón chamou um Congresso Anfictiônico no Panamá, no qual pretendia então tornar real a proposta da união deste imenso espaço geográfico que vai desde o México até a Patagônia. Obviamente que não queria os Estados Unidos nesse bloco, porque já sabia que a vocação deste país era imperial. Mas a ambição e a traição de muitos que haviam caminhado com ele acabaram por fazer ruir essa proposta e, em 1830, Bolívar morre sem ver a Pátria Grande. Desde aí os países das Américas Central e do Sul, mais o México seguiram suas histórias individuais, imediatamente abocanhados pelo império inglês e, mais tarde, pelos Estados Unidos. Dependência e subdesenvolvimento, isso foi o que nos restou. Bolívar estava esquecido, bem como sua generosa e visionária proposta. O tempo passou e em 1992, a Europa, já bastante golpeada pela ação imperialista dos Estados Unidos, decidiu criar a União Europeia, unificando os países para melhor enfrentar o titã. Já na América Latina, unidade era palavra que não se escutava. O máximo que se chegou foi a uma tentativa de integração comercial, mas apenas com os países do sul. Tudo isso mudou em 1999 quando, na Venezuela de Bolívar, surge um líder político absolutamente fora da curva: Hugo Chávez. Ele vence as eleições e começa o que vai chamar de uma “revolução bolivariana”. Assim, 184 anos depois da libertária Carta da Jamaica, finalmente outro político venezuelano ousa falar de soberania e unidade para os países abaixo do rio Grande, tendo como horizonte o socialismo. Bolívar ressurgia em todo o seu esplendor. Com Chávez começa então outro  momento único para a América Latina. Até então, apenas a pequena ilha de Cuba sobrevivia, heroicamente, acossada e bloqueada pelos Estados Unidos. O grito de unidade da Pátria Grande vinha agora de um país petroleiro, riquíssimo, mas no qual sua população agonizava massacrada pelos velhos partidos políticos que se alternavam no poder, legando apenas à classe dominante os ganhos astronômicos do petróleo. Com Chávez, tudo muda. Os ganhos do petróleo passam a ser usados para o benefício de toda gente venezuelana e o presidente ousa enfrentar o império estadunidense acercando-se de Cuba e anunciando que o país iria avançar para o socialismo. Sacrilégio, heresia. Imediatamente toda a máquina ideológica do capital e do império passou a atacá-lo usando a velha tática de alcunhar ditador, antidemocrático e autoritário tudo aquilo que não está aos seus pés, ajoelhado e a serviço. Chávez estava a serviço dos trabalhadores da Venezuela. Um crime! HUGO CHÁVEZ MORREU EM 5 DE MARÇO DE 2013 Ainda assim, atacado e difamado, de 1999 a 2013, tempo em que esteve à frente do governo, Chávez palmilhou o caminho prometido de soberania, unidade e socialismo. Deu início a uma série de ações no sentido de unificar os países, integrou pela primeira vez a América Central e o Caribe em um plano de Pátria Grande, realizou acordos, garantiu petróleo para os países menores, buscou o desenvolvimento endógeno, virou o jogo. Nunca, depois de Bolívar, havia existido um líder assim, capaz de pensar a América baixa na sua totalidade e capaz de atuar em consequência. Veio a Telesur, proposta de mídia integradora, Unasur, união dos países, Banco do Sur, um banco nosso, Petrocaribe, Celac e uma série de outras iniciativas que apontava para a unidade dos países na busca de um bloco que pudesse sair da dependência imposta desde há séculos. Chávez foi um furacão. Passou a ser, depois de Fidel, a figura mais odiada pelos poderosos do mundo. Por outro lado, sua voz poderosa, seu riso maroto, suas tiradas alegres, seu conhecimento sobre a realidade latino-americana foram amealhando o amor dos trabalhadores, das classes empobrecidas, que viam nele uma liderança verdadeiramente disposta a colocar “patas arriba” a velha forma de governar, invertendo as prioridades. Chávez andava pelo seu país, cada domingo num lugar, onde falava com a população, cara-a-cara, em um inédito programa de televisão, que chegava a durar oito ou nove horas. E desde os problemas estruturais até a falta de calçamento de uma rua podiam ser discutidos ali. Absurdamente popular. Ele prometia e cumpria. Chávez mudou a Venezuela e mudou a América Latina. Trouxe de volta Bolívar, Martí, Che, Sandino e todos os demais que haviam lutado para ver um continente unificado, um povo irmanado e soberano. E, mais do que esperança, trouxe ação concreta. Foi um furacão, uma locomotiva reluzente e alegre, disposto a mudar a vida de todos nós. Em 2013 o venceu um câncer, que alguns acreditam ter sido inoculado. Ele era considerado pior do que o demônio pelo império. A história talvez um dia nos dê estas respostas. Mas, o fato é que ele se foi. E depois disso, a grande máquina do sonho da Pátria Grande ficou mais lenta. Neste março completam dez anos de sua partida. E a América Latina que vemos hoje não se aproxima sequer palidamente daquela que ele ousou iniciar a construção. Mas, assim como Bolívar, ele vive no coração e nas mentes daqueles que continuam carregando esse sonho de soberania. Eu tive o privilégio de viver esses 14 anos do tempo de Chávez no comando dos desejos mais profundos dos trabalhadores latino-americanos. Pude vê-lo e ouvi-lo, sua cara mesclada de negro e índio, sua voz de trovão. Pude caminhar pela Venezuela bolivariana, vendo a luta de classes acontecer nas ruas, o povo – antes esquecido – assomando no controle de suas comunidades. E, hoje, quando se completa uma década de sua semeadura, ainda me descem gordas lágrimas de profunda saudade. Quanta falta nos faz.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Hugo Chávez &#8211; Foi em 1815 que Simón Bolívar escreveu sua famosa Carta da Jamaica, na qual estava plasmado o seu sonho de uma Pátria Grande, com a união de todos os espaços que estavam sob o jugo da Espanha. Um sonho que ele tratou de concretizar com sua saga libertadora voltando para a Venezuela e recomeçando o processo de independência. E foi na ponta da espada que ele e os demais que o seguiam foram liberando país por país. Depois, em 1826, Simón chamou um Congresso Anfictiônico no Panamá, no qual pretendia então tornar real a proposta da união deste imenso espaço geográfico que vai desde o México até a Patagônia. Obviamente que não queria os Estados Unidos nesse bloco, porque já sabia que a vocação deste país era imperial. Mas a ambição e a traição de muitos que haviam caminhado com ele acabaram por fazer ruir essa proposta e, em 1830, Bolívar morre sem ver a Pátria Grande.</p>
<p>Desde aí os países das Américas Central e do Sul, mais o México seguiram suas histórias individuais, imediatamente abocanhados pelo império inglês e, mais tarde, pelos Estados Unidos. Dependência e subdesenvolvimento, isso foi o que nos restou. Bolívar estava esquecido, bem como sua generosa e visionária proposta. O tempo passou e em 1992, a Europa, já bastante golpeada pela ação imperialista dos Estados Unidos, decidiu criar a União Europeia, unificando os países para melhor enfrentar o titã. Já na América Latina, unidade era palavra que não se escutava. O máximo que se chegou foi a uma tentativa de integração comercial, mas apenas com os países do sul.</p>
<p>Tudo isso mudou em 1999 quando, na Venezuela de Bolívar, surge um líder político absolutamente fora da curva: Hugo Chávez. Ele vence as eleições e começa o que vai chamar de uma “revolução bolivariana”. Assim, 184 anos depois da libertária Carta da Jamaica, finalmente outro político venezuelano ousa falar de soberania e unidade para os países abaixo do rio Grande, tendo como horizonte o socialismo. Bolívar ressurgia em todo o seu esplendor. Com Chávez começa então outro  momento único para a América Latina. Até então, apenas a pequena ilha de Cuba sobrevivia, heroicamente, acossada e bloqueada pelos Estados Unidos.</p>
<p>O grito de unidade da Pátria Grande vinha agora de um país petroleiro, riquíssimo, mas no qual sua população agonizava massacrada pelos velhos partidos políticos que se alternavam no poder, legando apenas à classe dominante os ganhos astronômicos do petróleo. Com Chávez, tudo muda. Os ganhos do petróleo passam a ser usados para o benefício de toda gente venezuelana e o presidente ousa enfrentar o império estadunidense acercando-se de Cuba e anunciando que o país iria avançar para o socialismo. Sacrilégio, heresia. Imediatamente toda a máquina ideológica do capital e do império passou a atacá-lo usando a velha tática de alcunhar ditador, antidemocrático e autoritário tudo aquilo que não está aos seus pés, ajoelhado e a serviço. Chávez estava a serviço dos trabalhadores da Venezuela. Um crime!</p>
<p style="text-align: right;"><strong>HUGO CHÁVEZ MORREU EM 5 DE MARÇO DE 2013</strong></p>
<p><figure id="attachment_13711" aria-describedby="caption-attachment-13711" style="width: 963px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13711" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/03/IMG_20230302_172032.jpg" alt="Chávez mudou a Venezuela e mudou a América Latina." width="963" height="545" /><figcaption id="caption-attachment-13711" class="wp-caption-text">Hugo Chávez em carreata (Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p>Ainda assim, atacado e difamado, de 1999 a 2013, tempo em que esteve à frente do governo, Chávez palmilhou o caminho prometido de soberania, unidade e socialismo. Deu início a uma série de ações no sentido de unificar os países, integrou pela primeira vez a América Central e o Caribe em um plano de Pátria Grande, realizou acordos, garantiu petróleo para os países menores, buscou o desenvolvimento endógeno, virou o jogo. Nunca, depois de Bolívar, havia existido um líder assim, capaz de pensar a América baixa na sua totalidade e capaz de atuar em consequência. Veio a Telesur, proposta de mídia integradora, Unasur, união dos países, Banco do Sur, um banco nosso, Petrocaribe, Celac e uma série de outras iniciativas que apontava para a unidade dos países na busca de um bloco que pudesse sair da dependência imposta desde há séculos. Chávez foi um furacão. Passou a ser, depois de Fidel, a figura mais odiada pelos poderosos do mundo.</p>
<p>Por outro lado, sua voz poderosa, seu riso maroto, suas tiradas alegres, seu conhecimento sobre a realidade latino-americana foram amealhando o amor dos trabalhadores, das classes empobrecidas, que viam nele uma liderança verdadeiramente disposta a colocar “patas arriba” a velha forma de governar, invertendo as prioridades. Chávez andava pelo seu país, cada domingo num lugar, onde falava com a população, cara-a-cara, em um inédito programa de televisão, que chegava a durar oito ou nove horas. E desde os problemas estruturais até a falta de calçamento de uma rua podiam ser discutidos ali. Absurdamente popular. Ele prometia e cumpria.</p>
<p>Chávez mudou a Venezuela e mudou a América Latina. Trouxe de volta Bolívar, Martí, Che, Sandino e todos os demais que haviam lutado para ver um continente unificado, um povo irmanado e soberano. E, mais do que esperança, trouxe ação concreta. Foi um furacão, uma locomotiva reluzente e alegre, disposto a mudar a vida de todos nós.</p>
<p>Em 2013 o venceu um câncer, que alguns acreditam ter sido inoculado. Ele era considerado pior do que o demônio pelo império. A história talvez um dia nos dê estas respostas. Mas, o fato é que ele se foi. E depois disso, a grande máquina do sonho da Pátria Grande ficou mais lenta. Neste março completam dez anos de sua partida. E a América Latina que vemos hoje não se aproxima sequer palidamente daquela que ele ousou iniciar a construção. Mas, assim como Bolívar, ele vive no coração e nas mentes daqueles que continuam carregando esse sonho de soberania.</p>
<p>Eu tive o privilégio de viver esses 14 anos do tempo de Chávez no comando dos desejos mais profundos dos trabalhadores latino-americanos. Pude vê-lo e ouvi-lo, sua cara mesclada de negro e índio, sua voz de trovão. Pude caminhar pela Venezuela bolivariana, vendo a luta de classes acontecer nas ruas, o povo – antes esquecido – assomando no controle de suas comunidades. E, hoje, quando se completa uma década de sua semeadura, ainda me descem gordas lágrimas de profunda saudade. Quanta falta nos faz. Como insuflava nossas velas no rumo da alegria. Ainda não nasceu outro como ele, mas as veredas bolivarianas, reabertas por Chávez, seguem cortando os caminhos das almas latino-americanas. Haveremos de torna-las avenidas.</p>
<p>Gracias, comandante, por tanto. Honramos teu legado permanecendo na luta pela Pátria Grande. Te extraño y te amo, para siempre.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="r7z3QXAea0"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-america-latina-e-os-estados-unidos/" target="_blank" rel="noopener">A América Latina e os Estados Unidos</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A América Latina e os Estados Unidos&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-america-latina-e-os-estados-unidos/embed/#?secret=U8Hi9cR1O4#?secret=r7z3QXAea0" data-secret="r7z3QXAea0" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="sQd8B4DX3h"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-aposta-latino-americana-pela-conciliacao/" target="_blank" rel="noopener">A aposta latino-americana pela conciliação</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;A aposta latino-americana pela conciliação&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/a-aposta-latino-americana-pela-conciliacao/embed/#?secret=RquZqEw5Ud#?secret=sQd8B4DX3h" data-secret="sQd8B4DX3h" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="oPu5Qr2uVE"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-caminho-da-america-latina/" target="_blank" rel="noopener">O caminho da América Latina</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O caminho da América Latina&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-caminho-da-america-latina/embed/#?secret=k73AkKiBIA#?secret=oPu5Qr2uVE" data-secret="oPu5Qr2uVE" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>A TV pode ter sido decisiva no fracasso do golpe bolsonarista dia 8</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Castilho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2023 14:13:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política análise]]></category>
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					<description><![CDATA[O golpe de estado de extrema direita previsto para o domingo dia 8 de janeiro pode ter sido abortado por algo que não estava nos cálculos dos conspiradores: o papel das redes de televisão com a transmissão ao vivo a invasão da Praça dos Três Poderes e a posterior depredação da sede do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto. Tudo indica que o ataque aos três prédios públicos mais importantes do país visava criar o caos político e com isto justificar uma intervenção militar a pretexto de restabelecer a ordem. Mas o objetivo acabou frustrado quando milhões de brasileiros testemunharam ao vivo, pela TV, a irracionalidade da ação dos bolsonaristas de extrema direita, que rapidamente perderam eventuais simpatias de quem assistia tudo à distância. A participação da televisão no desfecho dos acontecimentos ainda é um tema que merece maior detalhamento para identificar se foi algo pensado politicamente ou foi fruto do entusiasmo jornalístico em testemunhar cenas que a maioria das pessoas achavam improváveis de acontecer. O fato é que a TV Globo, por exemplo, ao interromper sua programação normal no canal aberto tomou uma decisão que além de política tinha também desdobramentos comerciais, porque os espaços publicitários foram adiados por várias horas. Outra decisão crucial foi a de formar uma rede entre o canal aberto e o fechado (Globo News) para aumentar a audiência. A emissora também convocou quase todos os seus jornalistas especializados em política para incorporar-se à cobertura, contactando fontes nos diversos níveis do aparato governamental, para explicar e complementar o que estava sendo mostrado ao vivo. Simbolismos políticos A TV Globo também tomou uma decisão carregada de simbolismo político de instruir repórteres, apresentadores e comentaristas para que eles tratassem como terroristas, golpistas e vândalos os participantes da invasão da Praça dos Três Poderes em Brasília. Este é o tipo de classificação que só pode ter sido decidida nos mais altos escalões da empresa pois as redações nunca tiveram a autonomia suficiente para acrescentar adjetivos à protagonistas de eventos políticos. Outras emissoras também adotaram o mesmo enfoque dos participantes da tentativa de golpe de estado com gradações e adjetivos diferentes, como foi o caso da CNN e da Bandeirantes. As exceções foram a SBT, Record e Jovem Pan que mantiveram sua orientação bolsonarista e rotularam a depredação como um protesto e seus autores como manifestantes, seguidores do ex-presidente, derrotado nas eleições presidenciais de outubro do ano passado. Caso estudos mais aprofundados venham a comprovar esta hipótese sobre a influência da transmissão ao vivo pela TV e do posicionamento das emissoras no tratamento dos participantes do ataque a prédios públicos em Brasília, no dia 8, estaremos diante de um caso inédito em que a comunicação e o jornalismo podem ter evitado um golpe de estado usando a informação visual como arma principal. O possível papel estratégico do audiovisual sinaliza uma mudança nos comportamentos políticos uma vez que a imagem, em tempo real, apela mais às emoções do que à reflexão. Até agora a imprensa escrita tinha um papel predominante porque os principais atores políticos priorizavam a racionalidade e a lógica nas ações de grande envergadura. Já se sabia que uma imagem apela mais para o emocional do que para o racional, mais para os impactos informativos do que para a reflexão analítica. Mas o que a cobertura televisiva dos eventos de domingo, 8 de janeiro, pode estar nos mostrando é a importância de entender como imagens impactantes sobre questões complexas podem acabar gerando mudanças de percepções individuais e coletivas em tempo curtíssima, sem o recurso a reflexão analítica. As armadilhas políticas das fake news O ecossistema informativo nacional no governo Lula Resumo da ópera golpista no Brasil]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O golpe de estado de extrema direita previsto para o domingo dia 8 de janeiro pode ter sido abortado por algo que não estava nos cálculos dos conspiradores: o papel das redes de televisão com a transmissão ao vivo a invasão da Praça dos Três Poderes e a posterior depredação da sede do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto.</p>
<p>Tudo indica que o ataque aos três prédios públicos mais importantes do país visava criar o caos político e com isto justificar uma intervenção militar a pretexto de restabelecer a ordem. Mas o objetivo acabou frustrado quando milhões de brasileiros testemunharam ao vivo, pela TV, a irracionalidade da ação dos bolsonaristas de extrema direita, que rapidamente perderam eventuais simpatias de quem assistia tudo à distância.</p>
<p>A participação da televisão no desfecho dos acontecimentos ainda é um tema que merece maior detalhamento para identificar se foi algo pensado politicamente ou foi fruto do entusiasmo jornalístico em testemunhar cenas que a maioria das pessoas achavam improváveis de acontecer.</p>
<p>O fato é que a TV Globo, por exemplo, ao interromper sua programação normal no canal aberto tomou uma decisão que além de política tinha também desdobramentos comerciais, porque os espaços publicitários foram adiados por várias horas. Outra decisão crucial foi a de formar uma rede entre o canal aberto e o fechado (Globo News) para aumentar a audiência. A emissora também convocou quase todos os seus jornalistas especializados em política para incorporar-se à cobertura, contactando fontes nos diversos níveis do aparato governamental, para explicar e complementar o que estava sendo mostrado ao vivo.</p>
<h2>Simbolismos políticos</h2>
<p>A TV Globo também tomou uma decisão carregada de simbolismo político de instruir repórteres, apresentadores e comentaristas para que eles tratassem como terroristas, golpistas e vândalos os participantes da invasão da Praça dos Três Poderes em Brasília. Este é o tipo de classificação que só pode ter sido decidida nos mais altos escalões da empresa pois as redações nunca tiveram a autonomia suficiente para acrescentar adjetivos à protagonistas de eventos políticos.</p>
<p>Outras emissoras também adotaram o mesmo enfoque dos participantes da tentativa de golpe de estado com gradações e adjetivos diferentes, como foi o caso da CNN e da Bandeirantes. As exceções foram a SBT, Record e Jovem Pan que mantiveram sua orientação bolsonarista e rotularam a depredação como um protesto e seus autores como manifestantes, seguidores do ex-presidente, derrotado nas eleições presidenciais de outubro do ano passado.</p>
<p><figure id="attachment_13660" aria-describedby="caption-attachment-13660" style="width: 584px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13660" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/02/15-12-09-clayton.jpg" alt="" width="584" height="522" /><figcaption id="caption-attachment-13660" class="wp-caption-text">Charge de Clayton (Reprodução O Povo)</figcaption></figure></p>
<p>Caso estudos mais aprofundados venham a comprovar esta hipótese sobre a influência da transmissão ao vivo pela TV e do posicionamento das emissoras no tratamento dos participantes do ataque a prédios públicos em Brasília, no dia 8, estaremos diante de um caso inédito em que a comunicação e o jornalismo podem ter evitado um golpe de estado usando a informação visual como arma principal. O possível papel estratégico do audiovisual sinaliza uma mudança nos comportamentos políticos uma vez que a imagem, em tempo real, apela mais às emoções do que à reflexão. Até agora a imprensa escrita tinha um papel predominante porque os principais atores políticos priorizavam a racionalidade e a lógica nas ações de grande envergadura.</p>
<p>Já se sabia que uma imagem apela mais para o emocional do que para o racional, mais para os impactos informativos do que para a reflexão analítica. Mas o que a cobertura televisiva dos eventos de domingo, 8 de janeiro, pode estar nos mostrando é a importância de entender como imagens impactantes sobre questões complexas podem acabar gerando mudanças de percepções individuais e coletivas em tempo curtíssima, sem o recurso a reflexão analítica.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="n0xRJQjBXp"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/as-armadilhas-politicas-das-fake-news/" target="_blank" rel="noopener">As armadilhas políticas das fake news</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;As armadilhas políticas das fake news&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/as-armadilhas-politicas-das-fake-news/embed/#?secret=dkjfg2BROJ#?secret=n0xRJQjBXp" data-secret="n0xRJQjBXp" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="LBB09bYW4P"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-ecossistema-informativo-nacional-no-governo-lula/" target="_blank" rel="noopener">O ecossistema informativo nacional no governo Lula</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O ecossistema informativo nacional no governo Lula&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-ecossistema-informativo-nacional-no-governo-lula/embed/#?secret=JEV8KA6NFj#?secret=LBB09bYW4P" data-secret="LBB09bYW4P" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="VIsJsZIwdx"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/resumo-da-opera-golpista-no-brasil/" target="_blank" rel="noopener">Resumo da ópera golpista no Brasil</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Resumo da ópera golpista no Brasil&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/resumo-da-opera-golpista-no-brasil/embed/#?secret=IhbwY6vE22#?secret=VIsJsZIwdx" data-secret="VIsJsZIwdx" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>Reconstrução se faz com mobilização</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Frei Betto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Feb 2023 19:01:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[terceiro governo lula]]></category>
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					<description><![CDATA[A vi­tória elei­toral de Lula si­na­liza a der­rota das forças des­tru­tivas que se apo­de­raram da ad­mi­nis­tração fe­deral nos úl­timos quatro anos. Não sei se o lema do novo go­verno – “União e Re­cons­trução” – se trans­for­mará em fato. União na­ci­onal não é ta­refa fácil. A cul­tura bol­so­na­rista, im­preg­nada de ódio, con­ta­minou inú­meras pes­soas que se so­maram aos 58 mi­lhões de votos re­ce­bidos por Bol­so­naro no se­gundo turno. E não há pos­si­bi­li­dade de união na­ci­onal nessa so­ci­e­dade in­jus­ta­mente mar­cada por gri­tante de­si­gual­dade so­cial. Con­tudo, re­cons­trução é viável. Lula tem plena cons­ci­ência do que pre­cisa ser feito. Seus dis­cursos de posse ex­pressam o ca­ráter deste ter­ceiro man­dato, onde se des­tacam três pri­o­ri­dades: com­bater a fome e a in­se­gu­rança ali­mentar; re­duzir a de­si­gual­dade so­cial; pro­teger nossos bi­omas e for­ta­lecer as po­lí­ticas so­ci­o­am­bi­en­tais. Lula está atento ao que de­veria ter sido feito em seus pri­meiros man­datos e, por força da con­jun­tura, não acon­teceu. Sabe que, agora, é talvez sua úl­tima opor­tu­ni­dade de go­vernar o Brasil. Na con­versa pri­vada que ti­vemos no Ita­ma­raty, na noite de 1º de ja­neiro, eu disse a ele que este é o início de seu pe­núl­timo man­dato. Ele sorriu. Estou con­ven­cido de que será can­di­dato à re­e­leição em 2026, aos 81 anos. A quem alega a idade avan­çada, lembro do car­deal Ron­calli, eleito papa João XXIII com 77 anos, em 1958, e com 80 pro­moveu uma re­vo­lução na Igreja Ca­tó­lica ao con­vocar o Con­cílio Va­ti­cano II. Nos man­datos an­te­ri­ores, Lula as­se­gurou sua go­ver­na­bi­li­dade pelo mo­delo “saci-pe­rerê”, apoiada em uma só perna: o Con­gresso Na­ci­onal. Agora sabe que a perna mais im­por­tante é a da mo­bi­li­zação po­pular. Es­pero que mi­nis­tros e mi­nis­tras se deem conta de que apoio po­pular não se con­funde com os 60 mi­lhões de votos re­ce­bidos por Lula. De­pende de in­tenso tra­balho pe­da­gó­gico. Não brota do es­pon­ta­neísmo nem re­sulta au­to­ma­ti­ca­mente das po­lí­ticas de in­clusão so­cial. Feijão não muda au­to­ma­ti­ca­mente a razão. Par­ti­ci­pação ci­dadã advém de cons­ci­ência crí­tica, or­ga­ni­zação e mo­bi­li­zação. E o go­verno fe­deral dispõe de am­plos re­cursos para pro­movê-las, desde po­de­roso sis­tema de co­mu­ni­cação à se­leção de li­vros di­dá­ticos. So­bre­tudo va­lo­rizar a ca­pa­ci­tação po­lí­tica de seus re­pre­sen­tantes em con­tato di­reto com a po­pu­lação, como os 400 mil agentes co­mu­ni­tá­rios de saúde. Sem povão não há so­lução! Brasil avermelhou Meus votos a presidente Slogan do governo Lula será &#8220;União e Reconstrução&#8221;; veja &#160; &#160; &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A vi­tória elei­toral de Lula si­na­liza a der­rota das forças des­tru­tivas que se apo­de­raram da ad­mi­nis­tração fe­deral nos úl­timos quatro anos. Não sei se o lema do novo go­verno – “União e Re­cons­trução” – se trans­for­mará em fato. União na­ci­onal não é ta­refa fácil.</p>
<p>A cul­tura bol­so­na­rista, im­preg­nada de ódio, con­ta­minou inú­meras pes­soas que se so­maram aos 58 mi­lhões de votos re­ce­bidos por Bol­so­naro no se­gundo turno. E não há pos­si­bi­li­dade de união na­ci­onal nessa so­ci­e­dade in­jus­ta­mente mar­cada por gri­tante de­si­gual­dade so­cial.</p>
<p>Con­tudo, re­cons­trução é viável. Lula tem plena cons­ci­ência do que pre­cisa ser feito. Seus dis­cursos de posse ex­pressam o ca­ráter deste ter­ceiro man­dato, onde se des­tacam três pri­o­ri­dades: com­bater a fome e a in­se­gu­rança ali­mentar; re­duzir a de­si­gual­dade so­cial; pro­teger nossos bi­omas e for­ta­lecer as po­lí­ticas so­ci­o­am­bi­en­tais.</p>
<p><figure id="attachment_13654" aria-describedby="caption-attachment-13654" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13654" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/02/14-37-34-lula-posse-logo-uniao-e-reconstrucao-640x427-1.jpg" alt="reconstrução se faz com união e mobilização" width="640" height="427" /><figcaption id="caption-attachment-13654" class="wp-caption-text">Lula na cerimônia de posse (Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p>Lula está atento ao que de­veria ter sido feito em seus pri­meiros man­datos e, por força da con­jun­tura, não acon­teceu. Sabe que, agora, é talvez sua úl­tima opor­tu­ni­dade de go­vernar o Brasil. Na con­versa pri­vada que ti­vemos no Ita­ma­raty, na noite de 1º de ja­neiro, eu disse a ele que este é o início de seu pe­núl­timo man­dato. Ele sorriu. Estou con­ven­cido de que será can­di­dato à re­e­leição em 2026, aos 81 anos. A quem alega a idade avan­çada, lembro do car­deal Ron­calli, eleito papa João XXIII com 77 anos, em 1958, e com 80 pro­moveu uma re­vo­lução na Igreja Ca­tó­lica ao con­vocar o Con­cílio Va­ti­cano II.</p>
<p>Nos man­datos an­te­ri­ores, Lula as­se­gurou sua go­ver­na­bi­li­dade pelo mo­delo “saci-pe­rerê”, apoiada em uma só perna: o Con­gresso Na­ci­onal. Agora sabe que a perna mais im­por­tante é a da mo­bi­li­zação po­pular. Es­pero que mi­nis­tros e mi­nis­tras se deem conta de que apoio po­pular não se con­funde com os 60 mi­lhões de votos re­ce­bidos por Lula. De­pende de in­tenso tra­balho pe­da­gó­gico. Não brota do es­pon­ta­neísmo nem re­sulta au­to­ma­ti­ca­mente das po­lí­ticas de in­clusão so­cial. Feijão não muda au­to­ma­ti­ca­mente a razão.</p>
<p>Par­ti­ci­pação ci­dadã advém de cons­ci­ência crí­tica, or­ga­ni­zação e mo­bi­li­zação. E o go­verno fe­deral dispõe de am­plos re­cursos para pro­movê-las, desde po­de­roso sis­tema de co­mu­ni­cação à se­leção de li­vros di­dá­ticos. So­bre­tudo va­lo­rizar a ca­pa­ci­tação po­lí­tica de seus re­pre­sen­tantes em con­tato di­reto com a po­pu­lação, como os 400 mil agentes co­mu­ni­tá­rios de saúde.</p>
<p>Sem povão não há so­lução!</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="oQ7Q2zUa9x"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/brasil-avermelhou/" target="_blank" rel="noopener">Brasil avermelhou</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Brasil avermelhou&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/brasil-avermelhou/embed/#?secret=4YOia8i1UQ#?secret=oQ7Q2zUa9x" data-secret="oQ7Q2zUa9x" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="XBJ4W7xnVC"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/meus-votos-a-presidente/" target="_blank" rel="noopener">Meus votos a presidente</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Meus votos a presidente&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/meus-votos-a-presidente/embed/#?secret=jUTA340RrD#?secret=XBJ4W7xnVC" data-secret="XBJ4W7xnVC" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="rcBaTeBr1K"><p><a href="https://www.poder360.com.br/governo/slogan-do-governo-lula-sera-uniao-e-reconstrucao-veja/" target="_blank" rel="noopener">Slogan do governo Lula será &#8220;União e Reconstrução&#8221;; veja</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Slogan do governo Lula será &#8220;União e Reconstrução&#8221;; veja&#8221; &#8212; Poder360" src="https://www.poder360.com.br/governo/slogan-do-governo-lula-sera-uniao-e-reconstrucao-veja/embed/#?secret=P1ZBMiPykS#?secret=rcBaTeBr1K" data-secret="rcBaTeBr1K" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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		<title>Os Yanomami</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Elaine Tavares]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2023 20:02:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[direitos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio indígena Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[índios genocídio]]></category>
		<category><![CDATA[povos indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[povos originários]]></category>
		<category><![CDATA[yanomami]]></category>
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					<description><![CDATA[As imagens que circulam do povo Yanomami abandonado à própria sorte na sua terra invadida por garimpeiros ilegais, causam comoção nas redes. E elas são mesmo indignantes. Mas, há que dizer, o grito indígena não é de hoje. Desde o primeiro dia de governo de Jair Bolsonaro, em 2019, ele elegeu os povos originários para inimigo principal. Um de seus primeiros atos foi tirar a Funai do Ministério da Justiça e depois, sistematicamente, foi destruindo todos os órgãos de cuidado com os indígenas. Havia prometido aos seus apoiadores, mineradores, fazendeiros, grileiros, que as terras originárias seriam exploradas e que os indígenas expulsos para formarem exército de reserva nas periferias das cidades. “Índio tem de trabalhar”, dizia o presidente. E assim foi durante quatro anos. Cada ataque, cada avanço do garimpo, dos latifundiários, dos bandidos armados, era denunciado pelas entidades indígenas. Nenhum eco nas grandes redes de TV e o tema só circulava em pequenos círculos de apoiadores. Assassinatos, estupros, desaparecimentos, violências, tudo acontecendo sem repercussão. Nem mesmo durante os dois desastrosos anos da pandemia do coronavírus, os povos originários conseguiram dar visibilidade aos seus dramas. Perdidos no meio da floresta ou nas comunidades eles resistiram como puderam. Não sem luta. Não sem luta. Quase todos os dias uma denúncia, mas nenhum meio de comunicação de massa lhes ouviu o grito. Como sempre acontece, fizeram marchas, acampamentos, atos, e nada. Então, lá foram eles para o estrangeiro, buscar apoio, porque aqui dentro era pouco e insuficiente. Viajaram para a Europa, para os Estados Unidos, tentando encontrar aliados para fazer parar a máquina de morte montada contra eles. Chegaram – ingenuamente ou não – a pedir ajuda ao presidente Joe Biden, que de certa forma também ignorou, porque Bolsonaro tampouco lhe dava bola. E assim foram caindo os indígenas nos cantões do Brasil. Agora, com o novo governo, o grito escapou da floresta. De repente, como o presidente da nação decidiu ele mesmo ir ver de perto o horror, os meios de comunicação de massa, que são concessões públicas, decidiram ver. E as imagens aparecem, mostrando crianças desnutridas, velhinhos em último estágio de magreza, e aparecem também os números dos mortos: centenas… Pessoas envenenadas pelo mercúrio do garimpo ilegal, pessoas famintas, crianças mortas. Os Yanomami são uma comunidade de mais de 30 mil almas que vivem na maior área de terra indígena do país. Uma área cobiçada, desejada, e que foi aberta para os ladrões. Invasores protegidos pelo estado, que abandonou a fiscalização deliberadamente. Então, tudo isso que se vê hoje poderia ter sido evitado. Se a imprense tivesse escutado o grito. Se os governantes tivessem escutado o grito. Se deputados e senadores tivessem escutado o grito. Se a sociedade organizada tivesse escutado o grito. Com a chegada das equipes do SUS, o estado da comunidade Yanomami veio à tona. E o governo agiu com rapidez. É fato que os mortos, caídos nos últimos quatro anos, não voltarão. Mas, os que já estavam na beira da grande travessia poderão escapar. Já chegaram os médicos, a comida, o apoio necessário. Isso é bom. Ocorre que o garimpo segue lá, em outros espaços da floresta, em outras terras indígenas, matando, estuprando, violentando. Sendo assim, há que fazer mais. Há que parar os invasores, os grileiros, assassinos e bandidos que continuam sugando a terra e a vida dos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Há que ir a essas comunidades todas porque lá, eles sabem o nome e o sobrenome dos algozes. E essa gente precisa ser parada. Assim como não aceitamos anistia para os governantes que permitiram esses crimes, também não pode haver condescendência para os que seguem burlando a lei e destruindo vidas. Segue o massacre aos povos indígenas O Ministério dos Povos Originários &#160; &#160; &#160; &#160;]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">As imagens que circulam do povo Yanomami abandonado à própria sorte na sua terra invadida por garimpeiros ilegais, causam comoção nas redes. E elas são mesmo indignantes. Mas, há que dizer, o grito indígena não é de hoje. Desde o primeiro dia de governo de Jair Bolsonaro, em 2019, ele elegeu os povos originários para inimigo principal. Um de seus primeiros atos foi tirar a Funai do Ministério da Justiça e depois, sistematicamente, foi destruindo todos os órgãos de cuidado com os indígenas. Havia prometido aos seus apoiadores, mineradores, fazendeiros, grileiros, que as terras originárias seriam exploradas e que os indígenas expulsos para formarem exército de reserva nas periferias das cidades. “Índio tem de trabalhar”, dizia o presidente.</p>
<p>E assim foi durante quatro anos. Cada ataque, cada avanço do garimpo, dos latifundiários, dos bandidos armados, era denunciado pelas entidades indígenas. Nenhum eco nas grandes redes de TV e o tema só circulava em pequenos círculos de apoiadores. Assassinatos, estupros, desaparecimentos, violências, tudo acontecendo sem repercussão. Nem mesmo durante os dois desastrosos anos da pandemia do coronavírus, os povos originários conseguiram dar visibilidade aos seus dramas. Perdidos no meio da floresta ou nas comunidades eles resistiram como puderam. Não sem luta. Não sem luta. Quase todos os dias uma denúncia, mas nenhum meio de comunicação de massa lhes ouviu o grito.</p>
<p>Como sempre acontece, fizeram marchas, acampamentos, atos, e nada. Então, lá foram eles para o estrangeiro, buscar apoio, porque aqui dentro era pouco e insuficiente. Viajaram para a Europa, para os Estados Unidos, tentando encontrar aliados para fazer parar a máquina de morte montada contra eles. Chegaram – ingenuamente ou não – a pedir ajuda ao presidente Joe Biden, que de certa forma também ignorou, porque Bolsonaro tampouco lhe dava bola. E assim foram caindo os indígenas nos cantões do Brasil.</p>
<p>Agora, com o novo governo, o grito escapou da floresta. De repente, como o presidente da nação decidiu ele mesmo ir ver de perto o horror, os meios de comunicação de massa, que são concessões públicas, decidiram ver. E as imagens aparecem, mostrando crianças desnutridas, velhinhos em último estágio de magreza, e aparecem também os números dos mortos: centenas… Pessoas envenenadas pelo mercúrio do garimpo ilegal, pessoas famintas, crianças mortas.</p>
<p><figure id="attachment_13675" aria-describedby="caption-attachment-13675" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13675 size-full" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/wp-content/uploads/2023/02/yanomamis.jpg" alt="yanomamis fome" width="640" height="427" /><figcaption id="caption-attachment-13675" class="wp-caption-text">Crianças yanomami desnutridas (Reproduação)</figcaption></figure></p>
<p>Os Yanomami são uma comunidade de mais de 30 mil almas que vivem na maior área de terra indígena do país. Uma área cobiçada, desejada, e que foi aberta para os ladrões. Invasores protegidos pelo estado, que abandonou a fiscalização deliberadamente. Então, tudo isso que se vê hoje poderia ter sido evitado. Se a imprense tivesse escutado o grito. Se os governantes tivessem escutado o grito. Se deputados e senadores tivessem escutado o grito. Se a sociedade organizada tivesse escutado o grito.</p>
<p>Com a chegada das equipes do SUS, o estado da comunidade Yanomami veio à tona. E o governo agiu com rapidez. É fato que os mortos, caídos nos últimos quatro anos, não voltarão. Mas, os que já estavam na beira da grande travessia poderão escapar. Já chegaram os médicos, a comida, o apoio necessário. Isso é bom. Ocorre que o garimpo segue lá, em outros espaços da floresta, em outras terras indígenas, matando, estuprando, violentando. Sendo assim, há que fazer mais. Há que parar os invasores, os grileiros, assassinos e bandidos que continuam sugando a terra e a vida dos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Há que ir a essas comunidades todas porque lá, eles sabem o nome e o sobrenome dos algozes. E essa gente precisa ser parada.</p>
<p>Assim como não aceitamos anistia para os governantes que permitiram esses crimes, também não pode haver condescendência para os que seguem burlando a lei e destruindo vidas.</p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="dTBRciOQiZ"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/segue-o-massacre-aos-povos-indigenas/" target="_blank" rel="noopener">Segue o massacre aos povos indígenas</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Segue o massacre aos povos indígenas&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/segue-o-massacre-aos-povos-indigenas/embed/#?secret=mDaTZRwYIA#?secret=dTBRciOQiZ" data-secret="dTBRciOQiZ" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="rLWRGpL6DB"><p><a href="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-ministerio-dos-povos-originarios/" target="_blank" rel="noopener">O Ministério dos Povos Originários</a></p></blockquote>
<p><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;O Ministério dos Povos Originários&#8221; &#8212; Zona Curva" src="https://urutaurpg.com.br/siteluis/o-ministerio-dos-povos-originarios/embed/#?secret=Ylx4UtrQ2N#?secret=rLWRGpL6DB" data-secret="rLWRGpL6DB" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
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