Lula promete investimentos na educação em evento na USP

No dia 15 de agosto, o ex-presidente Lula participou da “Aula aberta: Universidade Pública e Democracia”, evento realizado pelo Coletivo USP Pela Democracia. O encontro também contou com a presença de personalidades como Fernando Haddad, Ermínia Maricato  e Marilena Chauí.

Durante seu discurso, Lula destacou algumas realizações da sua gestão, como a diminuição da dívida pública, redução da inflação para 4,5% e investimento nas universidades.

Em seguida, ele afirmou que o financiamento estudantil deveria ser maior, e que mesmo que algumas pessoas não consigam pagar o governo imediatamente, no futuro pagarão, melhorando a capacidade produtiva no país. “Nós temos que começar a perguntar quanto custou não fazer as coisas no tempo certo nesse país”, discursou.

“Quanto custou não alfabetizar esse país na década de 30 ou 40? Quanto custou não fazer a urbanização quando começou a evasão do campo para a cidade? Quanto custou a esse país a gente não ter feito a reforma agrária quando foi feita no mundo inteiro? Fica muito mais caro”, questionou.

Durante o evento na USP, o ex-presidente Lula teceu críticas à gestão de Bolsonaro e prometeu melhorias na educação
Durante evento, o ex-presidente Lula teceu críticas à gestão de Bolsonaro na economia e educação – Foto: Reprodução/Youtube PT

Lula alegou ter deixado o Brasil bem encaminhado como a sexta economia do mundo e ainda em ascensão. O petista alegou que esperava que na segunda década deste século, o país estivesse entre os melhores, superando até mesmo a Inglaterra e França, disputando a quarta posição na economia mundial. “Eu trabalhava com esse sonho”, afirmou.

“E o que aconteceu? Esse país que chegou a ser a sexta economia do mundo e agora é a décima terceira. Esse país que era motivo de orgulho em todos os continentes, virou pária”, disse.

Encaminhando para o final, o ex-presidente pediu que a juventude não parasse de acreditar em si mesma e votar nos políticos que acredita e destacou: “não desanime da vida ou da luta, se a gente não luta enquanto a gente é estudante, a gente vai lutar quando a gente tem 70 (anos) ou 80 (anos)?”, perguntou.

“Eu só vou sossegar quando o filho de uma empregada doméstica puder sentar no mesmo banco da universidade que a filha da sua patroa e disputar a mesma vaga em igualdade de condições e para isso nós temos que garantir emprego, comida e salário para as pessoas. Quando todo mundo tiver as mesmas condições para disputar uma vaga, a gente vai ver quem é inteligente e quem não é”, completou.

o ex-presidente Lula falou sobre melhorias na educação, com um discurso motivador
Lula em comício na USP (Foto: Ricardo Stuckert)

Necessidade de diálogo com a população

A escritora, professora e filósofa Marilena Chauí deu início ao evento relembrando as mais de 681 mil vítimas da covid, 33 milhões de famintos e 22 milhões de desempregados, e se referiu a essa atual situação brasileira como “crueldade”.

“Um filósofo há muito tempo atrás escreveu que a covardia é a mãe da crueldade”, destacou. “O covarde, como é medroso, precisa sem cessar exibir signos e sinais de força: armas, milícias, mortes”, disse.

Segundo Chauí, o Brasil vive no ódio e cinismo, mas salienta a necessidade de “recuperar a República”. Segundo ela, para isso, é preciso institucionalizar todas as áreas do poder executivo, refazer todo o campo dos direitos sociais e encontrar um caminho “pelo qual a reforma política libere o legislativo do peso que lhe cabe e recupere a independência do judiciário, que desde a Lava Jato se tornou uma questão de luta para nós… é preciso refazer o Brasil”. 

A filósofa chamou a atenção para a forma como a direita opera nas redes sociais, e destaca que os recursos da esquerda são menores. De acordo com ela, existem duas tarefas necessárias. A primeira é conversar com as pessoas, no dia a dia, a respeito da atual situação política do Brasil. “Conversar com as pessoas explicando que esse Auxílio Emergencial só foi possível porque as esquerdas votaram, senão não sairia… isso a população precisa saber”.

A segunda tarefa é fazer a população compreender que a mudança terá um ritmo lento diante do que será deixado por Bolsonaro. Chauí ressalta a importância da recuperação da economia para que os direitos sociais sejam “recuperados e refeitos”, sendo imprescindível para a democracia.

“Onde nós estivermos, a nossa voz tem que ser ouvida, ela tem que se espalhar por todo o Brasil”

Evento lotou o vão dos prédios de História e Geografia na Cidade Universitária
Evento aconteceu no vão dos prédios de História e Geografia na Cidade Universitária da USP (Foto: Ricardo Stuckert)

Questão urbana

Já a arquiteta, urbanista e ativista Ermínia Maricato chamou a atenção para a questão urbana do Brasil: “85% do que se constrói nesse país não tem a participação nem de arquitetos, nem de engenheiros, como se isso fosse luxo” e exigiu que a pauta seja levada à agenda nacional. Segundo ela, a maior parte dos domicílios brasileiros é informal, sem tratamento de esgoto.

Durante seu discurso, Maricato alertou para a falta de acesso à moradia formal e de qualidade, e pediu reforma urbana. De acordo com a professora, a Constituição de 88 assegura esse direito, mas o Estado não está cobrindo, apesar do dever.

 

Questão racial

A geóloga e professora Adriana Alves se referiu aos problemas causados pelo atual governo como “uma possibilidade de reconhecer os erros do passado” e construir um futuro em que as mudanças ajudem a consolidar uma democracia que supere as injustiças. 

Alves falou sobre a questão racial, chegando a citar a menção de Bolsonaro ao peso de negros como “arroba”, medida que costuma ser usada para animais. Ela destacou o fato do Brasil ser um dos últimos países a abolir a escravidão, e mesmo o fazendo, abdicou de políticas públicas, causando desigualdade a enorme desigualdade racial na política. 

“Na atual conjuntura política, nós somos 16% de senadores e senadoras, 24% de deputados e deputadas, 32% de prefeitos e prefeitas e 47% de vereadoras e vereadores. […] Tais números significam que várias das políticas públicas voltadas a nossa população são formuladas a partir de um lugar de branquitude e de concessão dessa branquitude.”

A professora também citou o índice no judiciário: apenas 12% dos magistrados são negros, em um país cujos negros são 67,7% da população carcerária. “Eu não consigo não pensar em uma relação de causa e efeito desses números”, alegou.

 

Summary
Lula promete investimentos na educação em evento na USP
Article Name
Lula promete investimentos na educação em evento na USP
Description
No dia 15 de agosto, o ex-presidente Lula participou no dia 15 de agosto da “Aula aberta: Universidade Pública e Democracia”, evento realizado pelo Coletivo USP Pela Democracia. O encontro também contou com a presença de personalidades como Fernando Haddad, Ermínia Maricato, Adriana Alves e Marilena Chauí.
Author
Publisher Name
ZonaCurva Mídia Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *