Monark, o radical da praça de alimentação

Monark, o youtuber, é a efígie de uma geração idiotizada, escrava das métricas, e vazia. Uma geração que tem opinião formada a partir de mesa de bar e corrente de WhatsApp.

Descrentes de qualquer fonte científica por que tem um brother do amigo dele do outro condomínio ou por que a mãe trabalha na área, que garantiu “não ser assim não”. Extremamente carentes, fúteis e ansiosos e em busca de algum reconhecimento mesmo não tendo nenhum serviço prestado. Monark não merece nem que eu escreva um texto inteiro.

E nós, que viemos antes dele, mais rodados, compreendemos que se simplificarmos o absurdo como apenas “liberdade de expressão”, perdemos o filé mignon do debate. E o cerne é: qual ‘expressão’ tem visibilidade?  Principalmente quando são os algoritmos que ditam as regras do jogo. 

Cartaz antinazista em protesto
(AP Photo / Tyler Morning Telegraph, Tom Turner)

O que pudemos ver nesse episódio é o capital imprimindo práticas antigas de financiar estéticas ignóbeis, figuras caricatas, personalidades exóticas que pouco ou nada agregam na compreensão da sociedade com o objetivo nítido de afastar a sociedade do verdadeiro debate, daquilo do que realmente importa. 

Por isso que é mais fácil o Flow (podcast super acessado do comunicador) ou outro podcast qualquer conseguir patrocínio de inúmeras marcas do que Rita Von Hunty, a persona drag queen criada pelo professor Guilherme Terreri Lima Pereira no canal Tempero Drag, que aborda de forma pedagógica conceitos sociológicos para usarmos na vida prática, ajudando a compreender inclusive fenômenos como esse em que Monark defende a criação de um partido nazista no Brasil..

Charge Natan

Nesses termos, a rede social virou reduto de tudólogos, de egos inflados que não contribuem de forma concreta para melhorar a sociedade, e que são a isca perfeita para apreender a mente e o tempo, daqueles que não se percebem nesse tempo-espaço, sendo induzidos a uma mecanização, consumindo um “conteúdo” pasteurizado, e reproduzindo bobagens. E isso monetiza. Rende lucro. 

E o que se paga a Monark é pouco ou nada perto do prejuízo que todos nós temos com esse tipo de “corta-luz”. Uma mão entretém a nossa visão e a outra opera, se aproveitando da nossa atenção dispersa.

A sociedade pós-industrial está dependente da rede social, inclusive, já há patologia para isso, e o que antes era visto como um avanço na vida do homem moderno, tem se mostrado uma péssima muleta.

Mas pior que isso é o uso político e ideológico que está no background desse modus operandi, formando um exército de fantoches que não tem qualquer pensamento crítico da realidade em que vivem. 

Monark que presta é mesmo a bicicleta.

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Monark, o youtuber, é a efígie de uma geração idiotizada, escrava das métricas, e vazia. Uma geração que tem opinião formada a partir de mesa de bar e corrente de WhatsApp.
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